Capela Nossa Senhora das Febres

Categoria: Capelas

A Capela da Nossa Senhora das Febres, antiga Capela de São Roque situa-se na freguesia da Vera-Cruz, no bairro piscatório da Beira-mar, muito próximo do canal.

A Capela de São Roque terá sido edificada em finais do século XVI. É uma construção em pedra e cal, com cobertura em telha, pintada ao gosto popular. A fachada principal, junto à entrada do templo, apresenta dois contrafortes, um de cada lado da porta, que servem de bancos. No interior do templo, ao fundo, encontra-se a capela-mor, com o altar principal, encimado por um retábulo de madeira, pintado de dourado, onde se inscreve a imagem do orago – Nossa Senhora das Febres. Esta imagem foi adquirida por subscrição pública para substituir a escultura quatrocentista da Virgem, que foi transferida para a Igreja Paroquial da Vera Cruz.

Do lado direito do altar-mor situa-se a sacristia e sobre esta, eleva-se o campanário, já sem o pequeno sino e com uma singela armação de ferro. No corpo da capela, junto ao transepto, localizam-se dois altares, em madeira pintada, sobre os quais, aparecem duas imagens produzidas na fábrica de louça, do Cojo (de Pedro António Marques, ou Pedro Serrano). A escultura do lado do Evangelho representa S. Tomé, a do lado da Epístola, São Roque.

No interior do templo encontram-se sepulturas e lápides funerárias alusivas aos primeiros proprietários da Capela de São Roque, bem como dos moradores da Rua de São Roque que “foram sepultados na dita capela”. Estes elementos são confirmados na documentação paroquial de 26 de Maio de 1721, onde frei Manuel Coelho de Oliveira, refere que na capela existe “huma Sepultura com hum Letereyro, q dis o Seg.te: Esta sepultura he de Roque Varella Durasso na Era de 1645”.

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O culto a São Roque tinha grande expressão junto às comunidades da beira-mar, já que este Santo é o protector contra as pestes e padroeiro de mestres construtores de naus, carpinteiros, tanoeiros, calafates e outras actividades mais expostas ao flagelo da pestilência, que assolava o território nacional, incluindo o burgo naval de Aveiro, dizimando famílias inteiras. Mas também a devoção à Virgem Maria tinha grande expressão pelos aveirenses.

Ao longo dos séculos seguintes verificou-se o fecho da Barra, consequente a estagnação das águas da laguna e a transformação da zona em pântano epidémico, associado ao declínio das agremiações socioprofissionais implantadas até então junto à capela, levaram a que a população mudasse a invocação do templo para Nossa Senhora das Febres, sem no entanto, abandonarem o culto a São Roque, continuando a organizar festejos em seu louvor.

No último quartel do século XIX e princípios do século XX, celebravam-se na capela, missas por alma dos familiares já desaparecidos e na rua, as festas a Nossa Senhora das Febres incluíam os despiques entre filarmónicas, cantigas ao desafio e os “entremezes”, atraindo grande assistência, como era anunciado no periódico “O Riso do Vouga” (de Setembro de 1915): “Este ano, na capela de São Roque, onde se festeja a Senhora das Febres, há rija festa, com músicas, iluminações e entremez (...). É quase uma surpresa a apresentação dum grupo dramático para a representação de uma revista de costumes locais e piscatórios ”.

O arraial decorria pela tarde e à noite tocava-se a despique a “Música Velha e a Música Nova”. O último dia da Festa da Nossa Senhora das Febres era marcado pelas “cavalhadas”, verdadeiras provas de destreza física, como a subida ao mastro ensebado (encimado por um bacalhau), que era colocado no Largo da Nossa Senhora das Febres e atraíam muita gente ao local. 

Em 1853, a Capela de São Roque foi restaurada, por iniciativa de Francisco de Pinho Vinagre (pai do Padre Jorge de Pinho Vinagre). Em 1936, são realizadas novas obras de restauro e na década de 1950 foi aplicado o revestimento azulejar no interior do templo, e na segunda metade, do século XX, foi revestida a fachada.

O dia de Nossa Senhora das Febres celebra-se a 8 de Setembro. Tradicionalmente a festa celebrava-se sempre no Domingo. O evento era promovido, organizado e financiado pelos marnotos da Ria de Aveiro, que para tal, aceitavam ser mordomos. Uma das suas funções era andar em bateiras, de marinha em marinha, a “tirar a esmola do sal” ou seja, pedir o contributo em sal, para patrocinar os festejos.

 

Outros Locais de Interesse

Canal de São Roque: um dos vários canais de água atravessam a cidade de Aveiro. Lugar dos antigos estaleiros navais, onde gerações de homens trabalharam na arte da construção naval, mas também do lazer e da diversão, com as peculiares regatas de bateiras e caçadeiras a remos ou a pás (da actividade salícola), com despique de tripulações, agrupadas por mesteres (marnotos, salineiras, pescadores, calafates, carpinteiros, etc.), que deslizavam pelo canal sob o olhar da população que ficava nas margens.

O actual percurso inicia-se na Ponte de São João, transversal ao canal das Pirâmides e percorre um percurso paralelo à A25 para norte, passando pelo bairro da Beira-Mar, separando a malha populacional da Ria e das marinas de sal. Ao longo destes canais existe o Cais das Falcoeiras; Cais dos Mercanteis; Cais dos Botirões; Cais de São Roque. 

Festividades Nossa Senhora das Febres: 8 Setembro (Missa:12h00; Terço:15h00)
Direitos de Autor ou de Imagem

Margarida Ribeiro/Câmara Municipal de Aveiro

Bibliografia

Ribeiro, Margarida, A Capela de São Roque ou de Nossa Senhora das Febres, Câmara Municipal de Aveiro, (documento policopiado), 2011

Silva, Pedro Ribeiro da, Guia Turístico da Cidade de Aveiro, Aveiro, PRS Edições Turismo, 2011 

Localização

Rua do Carril e a Rua de São Roque, Aveiro, Portugal

Pontos de Interesse: Sugestões

Capela construída provavelmente no século XVIII. Em 1998, a Comissão Fabriqueira promoveu as obras de restauro, que incluíram: alteamento das fachadas, remoção dos rebocos das paredes.

Lugar de Cima do Povo, em Quintela, Vila Real, Vila Marim, Portugal

A Capela de São Roque foi edificada no itinerário dos caminhos de Santiago, a caminho de Agualonga, e passando a velha ponte, encontra-se o templo.

EN 201, Paredes de Coura, Rubiães

Em Podence existiu uma Capela de São Roque, de cuja memória apenas ficou uma placa toponímica que atesta o local da sua implantação.

Largo de São Roque, Macedo Cavaleiros, Podence, Portugal