Igreja de São Roque

Categoria: Igrejas

A 24 de Março de 1506 foi iniciada a construção da antiga Ermida de São Roque no exterior da cerca da cidade (Cerca Fernandina),e perto do lugar do cemitério (adro) onde se sepultavam os que faleciam de peste. Esta ermida foi construída pelo povo de Lisboa, para nela se depositaram as Relíquias de São Roque, que as autoridades venezianas cederam ao rei D. Manuel I.

As primeiras notícias acerca dos grandes milagres que Santo Roque, terão chegado a Portugal no final do reinado de D. João II e o início do de D. Manuel I.

A devoção a São Roque rapidamente se desenvolveu através da fundação duma confraria que tinha entre os seus confrades a família real e grande parte da nobreza.

Este foi o primeiro templo a ser edificado na Península Ibérica com altar e imagem do Santo, consagrado pelo bispo em 1515 e o adro em 1527, não podendo, por isso, fazer-se na cidade de Lisboa, em seu dia, qualquer outra festa sem o conhecimento do juiz e mordomos desta confraria fundada, instituída e administrada por leigos.

A ermida acabaria por se transformar num importante local de peregrinação, aonde acorriam inúmeros peregrinos para cumprir as suas promessas e assim se manteve durante cerca de cinquenta anos, sendo a sua Confraria das mais prestigiadas da cidade.

No reinado de D. João III veio a Portugal o Padre Jerónimo Nadal, castelhano de nascimento e Provincial da Companhia de Jesus, com o propósito de descobrir um sítio para fundar uma Casa Professa na cidade de Lisboa.

O Pe. Jerónimo Nadal rapidamente se sentiu atraído pelo sítio onde se encontrava a Ermida de São Roque por ser um lugar bastante desafogado, rodeado de oliveiras e despovoado, considerando-o ideal para a concretização dos seus ideais.

O mais difícil foi convencer os Irmãos a ceder a posse da ermida para que ali se pudesse erguer a Casa Professa. Tal como seria de prever, os confrades de São Roque não se mostraram lá muito entusiasmados com a ideia e fizeram questão de o deixar bem claro. Foi necessária a intervenção do Rei, o que levou os Irmãos a abdicar dos seus direitos para agradar ao rei, tentando pelo menos assegurar que São Roque se mantivesse como orago da nova casa.

Os jesuítas tomaram posse da Ermida de São Roque no primeiro domingo de Outubro de 1553, com a celebração de uma missa solene à qual assistiu o Rei, acompanhado pelo Príncipe D. João e seu irmão, o Infante D. Luís, o Arcebispo de Lisboa Dom Fernando de Menezes e a maior parte da nobreza.

Os padres da Companhia de Jesus começaram a desenvolver um notável trabalho de evangelização com as grandes pregações, às quais acorria cada vez mais gente, tornando insuficiente o espaço do templo.

O Rei resolveu, então, adquirir uma cerca para que os religiosos pudessem mais facilmente construir a casa e igreja a seu gosto. Os jesuítas aproveitaram os terrenos oferecidos para edificarem umas instalações provisórias e aumentarem a área da Ermida, de forma a conseguirem melhores condições de acolhimento para os fiéis. Como esta estava orientada no sentido oriente/poente, foi acrescentada em comprimento, no sentido norte/sul, servindo o seu antigo espaço como capela-mor e cruzeiro. Os irmãos de São Roque continuariam ligados ao templo, gozando até do privilégio de serem a única confraria existente na igreja.

Na obra Summario em que brevemente se contem algumas cousas assim ecclesiasticas como seculares que ha na cidade de Lisboa, da autoria de Cristovão de Oliveira e publicada entre 1554 e 1555 é referido que na Ermida de São Roque que “está na freguesia de Santa Justa, existe a confraria do mesmo Santo e “valem as esmolas cincoenta cruzados”.

Em 1556, os jesuítas decidiram avançar com a construção do novo templo, no qual o culto a São Roque passaria a ser venerado numa capela lateral e não na Capela-Mor, como desde sempre acontecera, mostrando inclusivamente vontade de escolher um outro orago para a sua igreja, no que esbarraram com a oposição do Rei e dos Irmãos, mantendo-se o orago de São Roque.

A Capela de São Roque foi edificada inicialmente a expensas dos jesuítas, conforme o contrato estabelecido pela cedência da posse da Ermida.

 

A Irmandade de São Roque

A Irmandade dedicava-se às obras espirituais. Tinha missa diária na sua Capela de São Roque, ministrada pelo capelão privativo, sacristia e casa de despacho própria e os Irmãos gozavam ainda de um antigo privilégio que lhes fora concedido aquando da cedência da primitiva Ermida: usufruíam do direito de poder assistir à pregação, que se fazia no púlpito em frente, sentados a uma mesa colocada sob o outro púlpito que se encontra entre as capelas de São Roque e São Francisco Xavier.

Como a maioria das Irmandades cultuais, a Irmandade de São Roque vivia inteiramente da caridade, das esmolas ordinárias e de legados pios entregues pelos Irmãos e particulares, mediante estabelecimento de vínculos e de disposições legatárias estabelecidas nas obrigações de missas a cumprir pelos defuntos.

A Irmandade de São Roque regia-se segundo o Compromisso da Irmandade do Benavetvrado São Roque em a Igreia da Companhia de Iesu Ordenado pelos Irmãos desta Antiga Confraria em Lisboa, datado de 1605, concluído a 1 de Março de 1628 e com confirmação régia de 27 de Agosto de 1631), e tinha a missão de auxiliar e dar assistência tanto espiritual quão material aos seus Irmãos, familiares e benfeitores defuntos, de prestar culto e assistência religiosa à cidade, expondo anualmente a Relíquia de São Roque à veneração e culto de fiéis.

As orientações quotidianas prendiam-se com as actividades devocionais, cumprindo a perpetuidade das missas instituídas na Capela de São Roque, promover as solenidades públicas das celebrações do dia do orago, do dia de São Sebastião, a celebração dos aniversários, missas de sufrágio, organizar a Procissão dos Senhor dos Passos, participar em procissões da cidade (Corpus Christi, Senhora da Saúde) sendo, também, estes os principais dispêndios da Irmandade.

Mas os Irmãos, além das suas tarefas cultuais, também continuaram a zelar pela manutenção da sua Capela, tendo até mandado fazer grandes obras de beneficiação e decorando-a com um novo retábulo. Em 1583, o Papa Gregório XIII concedeu um Privilégio à Irmandade de São Roque, atribuindo-lhe as mesmas graças e privilégios que gozava a Archiconfraria da Caridade, instituída na cidade de Roma em 1519, sendo reconhecidas as capacidades da Irmandade para continuar a exercer “as singulares obras de caridade e de misericórdia nas quais vos mantendes meritoriamente por contínuo exercício, induzem-nos a que os privilégios a nós concedidos pela Sé Apostólica vo-los comuniquemos graciosamente a fim de que de maior bom grado possais preservar em obras de salvação”.

Com a expulsão da Companhia de Jesus, a Irmandade de São Roque foi a única Irmandade da Igreja de São Roque, que conseguiu subsistir devido ao facto de não ter sido fundada pelos Padres da Companhia, conservando o seu estatuto especial.

Ao longo dos séculos, a histórica da Irmandade tem sido regida por diferentes e modificados Estatutos/Compromissos.

Em 1990, a Irmandade de São Roque que até a esse momento tinha uma missão puramente cultual transforma-se em Irmandade da Misericórdia e de São Roque de Lisboa, alargando a sua responsabilidade e representação social e espiritual. A partir deste momento, estabelece-se uma ligação mais forte com Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que através dos seus Estatutos, atribui à Irmandade as seguintes responsabilidades, designadamente:

  • tutela do espírito cristão que enforma a acção da Santa Casa;
  • manutenção do culto da religião católica nas Igrejas e Capelas pertencentes à Santa Casa, nomeadamente a Igreja de São Roque;
  • promoção de todos os actos de assistência religiosa católica nos estabelecimentos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Em 2011, foram aprovados os novos Estatutos, celebrando a fusão na Irmandade da Misericórdia e de São Roque de Lisboa da Irmandade da Misericórdia de Lisboa e da Real Irmandade do Glorioso São Roque dos Carpinteiros de Machado.

 

Igreja de São Roque

Mantém a integridade arquitectónica e patrimonial conservando um acervo da antiga Casa Professa da Companhia de Jesus em Portugal e das suas Irmandades, sendo disso exemplo as capelas do Santíssimo Sacramento e Nossa Senhora da Doutrina, Sagrada Família, São Francisco Xavier, Santo António e a Capela de São João Baptista, com as suas alfaias e objectos devocionais utilizados nas diferentes festividades litúrgicas.

Este património foi engrandecido com a actividade da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que desde o século XVIII, tem promovido a preservação e a valorização do património cultual e artístico.

 

 

Festividades Novena de São Roque: Setembro a Outubro
Festa de São Roque: primeiro Domingo de Outubro
Contactos e Horário

Segunda-feira das 14h00 às 18h00.

Terça-feira a Domingo das 09h00 às 18h00.

Quinta-feira das 9h00 às 21h00.

Encerra à segunda-feira de manhã, nos feriados civis (todo o dia) e nos feriados religiosos (de tarde).

Outras Informações

Entidade cultual

Irmandade da Misericórdia e de São Roque de Lisboa

Segunda a Sexta-feira, das 09h00 às 19h00

Tel.: 21 323 50 66 

Fax: 21 323 52 34

Email: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.


Museu de São Roque

http://www.museudesaoroque.com

http://www.scml.pt 

Distrito Lisboa
Concelho Lisboa
Direitos de Autor ou de Imagem João Pécurto | Santa Casa da Misericórdia de Lisboa
Bibliografia

Catálogo do Museu de São Roque, Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, 2008

Pinto, Helena G., Cronologia Histórica da Irmandade Misericórdia e de São Roque, 2012 

Roteiro do Museu de São Roque, Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, 2008

Localização

Igreja de São Roque, Largo Trindade Coelho, 1200-470, Lisboa, Portugal

Pontos de Interesse: Sugestões

O nome da freguesia teve origem na Capela de São Roque, cuja primeira igreja foi erguida, em 1551, no Chão da Ribeira, integrando a paróquia do Faial.

Santana, São Roque do Faial

O Fortim de São Roque ou Fortim do Faial ergue-se no alto de uma encosta, com vista para o mar e para a vila de São Roque do Faial, destacando-se muralha protectora.

Estrada Municipal de Santana e Caminho do Fortim, Santana, São Roque do Faial, Portugal

A capela foi construída fora da localidade, num lugar de grande visibilidade sobre Bornes. Trata-se de um edifício de pequenas dimensões, com fachada principal encimada por uma sineta.

Macedo de Cavaleiros, Bornes, Portugal