Irmandade do Glorioso São Roque dos Carpinteiros de Machado

Brasão

Um escudo bipartido, tendo à direita o escudo de Portugal e à esquerda um cão com o pão na boca, olhando para um bordão de peregrino encimado por um chapéu com três conchas e tendo pendente uma cabaça.

A Irmandade do Glorioso São Roque dos Carpinteiros de Machado é incorporada por fusão (respeitando o espírito do Cânone 121 do Código de Direito Canónico) na Irmandade da Misericórdia e de São Roque de Lisboa (Estatutos aprovados em 7 de Fevereiro de 2011).

A Mesa Administrativa da Irmandade de São Roque inicia os contactos com oficiais da Marinha com o intuito de reavivar a história e a importância da antiga Irmandade do Glorioso São Roque dos Carpinteiros de Machado, sediada na Capela de São Roque do Arsenal.

Um dos objectivos passa por identificar afinidades de interesse e de cumplicidades com estes homens cristãos (ligados à Marinha) e avaliar a possibilidade de com a sua colaboração, interesse e empenho, reavivar a Irmandade do Glorioso São Roque dos Carpinteiros de Machado, que não tinha sido extinta pela competente Autoridade Religiosa, na década de 1920.

Assim, e com a sugestão do Patriarcado é proposta a integração por fusão da extinta Irmandade do Glorioso São Roque dos Carpinteiros de Machado na Irmandade da Misericórdia e de São Roque de Lisboa, a 10 Abril de 2010.

A Capela é reaberta após obras de conservação realizadas pelos operários do Arsenal da Marinha e as solenidades são presididas pelo Arcebispo de Mitilene, D. Manuel Trindade Salgueiro.

De 19 a 21 de Janeiro, na Casa de Despacho, decorre o leilão dos bens, organizado pela empresa Liquidadora das Chagas. Alguns dos bens são incorporados (por aquisição) no Museu Nacional de Arte Antiga, designadamente: uma Cruz do século XVII; Santo Cristo em metal dourado com cruz engastada em madre-pérola; duas cortinas de porta, com as armas bordadas e duas murças de seda preta com as armas da Irmandade.

É constituído o processo documental para pedido de autorização ao Governo, para se proceder à venda de todo o mobiliário e realizar a fusão com a Caixa de Pensões do Arsenal (Acta de 27 de Abril de 1928, pp.14). A 16 de Junho é assinado o Despacho do Governo para a fusão da Irmandade com a Caixa Pensão Arsenal da Marinha.

O visitador Francisco Maria Frazão sugere que para “cumprimento com o referido Decreto deveríamos transitar com o nosso capital em inscrições, bem como pensionistas, e sócios que desejam transitar, nas condições da primeira caso estabelecidas com a referida caixa, e depois da venda se executaria o que para tal fim está estabelecido na segunda e terceira base, consoante o rendimento da venda”. Os presentes na reunião decidem que “tudo transitasse depois de tudo vendido”, vontade também manifestada pelo Tesoureiro a quem, pela responsabilidade do seu cargo, competia encerrar todas as contas. O dinheiro existente no chamado Cofre dos Sinos era destinado ao pagamento das jóias dos sócios que transitassem desta Irmandade para a Caixa de Pensões, e o remanescente seria englobado no apuramento da venda e saldo existentes, e aplicado nos fins previstos nas bases da fusão. Esta deliberação é aprovada pela Mesa da Assembleia-Geral, em que assistiu o Presidente Cândido António de Carvalho.

Assinam esta Acta:

  • Presidente - Luís augusto Pereira
  • Tesoureiro - Luís Baptista
  • Visitadores - Alfredo Lopes da Silva, Marcolino Nepomoceno Mata
  • Secretário - Júlio Alves

A Mesa é constituída por:

  • Presidente - Luís Augusto Pereira
  • Tesoureiro - Luís Baptista
  • Visitadores - Alfredo Lopes da Silva, Francisco Maria Frazão, Marcolino Nepomoceno Mata, Álvaro da Silva Neto
  • Secretario - Júlio Alves

Os corpos gerentes da Irmandade dos Carpinteiros Navais aprovam a fusão da Irmandade com a Caixa de Pensões do Arsenal da Marinha (Diário da República de 22 de Junho de 1928), sendo extinta a Irmandade dos Carpinteiros Navais, com a autorização para serem leiloados os bens.

A Mesa era constituída por:

  • Presidente - Luís Augusto Pereira
  • Tesoureiro - Guilherme Júlio d’Almeida
  • Visitadores - Alfredo Lopes da Silva, Francisco Maria Frazão, Luís Baptista, Álvaro da Silva Neto
  • Secretario - Júlio Alves

A 27 de Outubro, a direção é constituída por:

  • Presidente - Guilherme Augusto de Paiva
  • Tesoureiro - Guilherme Júlio d’Almeida
  • Visitadores - Eduardo da Silva Pinheiro, Joaquim António Soares, Jaime Gomes, João Maria Teles Júnior
  • Secretario - Júlio Sena

O Governo Civil aprova os Estatutos da Irmandade dos Carpinteiros Navaes, erecta na sua antiga Ermida de S. Roque no Arsenal da Marinha (3 de Abril).

O texto não faz qualquer referência ao culto a São Roque e a Irmandade passa a ser uma associação de socorros mútuos, perdendo o seu carácter religioso. 

Reforma dos Estatutos com a mudança de denominação para Irmandade dos Carpinteiros Navais. A Comissão de Reforma é constituída por: Sebastião Nunes, Alexandre José Carreto, Cândido António de Carvalho, Guilherme Augusto Paiva, José dos Santos da Cruz. 

O Oficio da Lei da Separação do Estado da Igreja (15 de Nov. 1911) refere “que só poderia ficar a subsistir em cada Freguesia uma Corporação com encargo do culto religioso”. No dia 25 de Novembro, realiza-se uma reunião, para a qual tinham sido convocadas outras Corporações, Irmandades e Ordens Terceiras, com o objectivo de decidirem quem ficava com o encargo do culto, em cada Freguesia do 2.º Bairro.

Perante a Comissão, a Mesa da Irmandade apresenta um projeto para reforma dos Estatutos (como é imposto pelo decreto-lei de 20 de Abril de 1911).

Em 22 Agosto de 1911 é realizado o Auto de Diligência à Capela de S. Roque, estando presentes o Juiz, Alexandre José Canuto; Secretário, José dos Santos Cruz Dias, e o Procurador, Henrique Fernando Bastos, que declaram que a Irmandade estava “Legal, com Compromisso aprovado por Carta Régia, de 7 de Abril 1865 e Alvará passado pelo Governo Civil, de 7 Março de 1876”. A Comissão Concelhia do Inventário reconhece improcedente o arrolamento dos bens da Irmandade pelo que dá por terminada a diligência.

 

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Auto de diligência à Capella da Irmandade de S. Roque erecta no edificio do Arsenal da Marinha, levantada pela Comissão Concelhia do Inventario, constituida nos termos do Artigo 63 do Decreto-Lei de 20 de abril de 1911.

Aos vinte e dois de agosto de mil novencentos e onze, pela uma hora da tarde, compareceram na Capella da Irmandade de S. Roque erecta no Arsenal da Marinha, os cidadãos Dr. Ernesto Carneiro Franco, administrador do segundo bairro, Afonso de Albuquerque Cabral da Silva, aspirante da Repartição da fazenda do mesmo bairro, representando o escrivão respectivo e Jose Julio Ferreira Bastos, presidente da Junta da Parochia da Freguesia de S. Julião, todos os tres constituindo a Comissão Concelhia do Inventario para nos termos do artigo sessenta e dois e seguintes do decreto com força de Lei de vinte d’Abril de mil novencentos e onze (Separação do Estado das Igrejas), procederam ao arrolamento e inventario de todos os bens mobiliários destinados ao culto publico da religião catholica.

Estando presentes os cidadãos Alexandre José Canuto, José dos Santos da Cruz Dias e Henrique Fernando Bastos, respectivamente Juiz, Secretario e Procurador da Irmandade, pelo primeiro foi declarado que / aquella estava legalmente constituida como constas do seu compromisso aprovado por carta regia de sete d’Abril de mil oitocentos e sessenta e cinco, e do alvará passado pelo Governo Civil em sete de Março de mil oitocentos e setenta e seis. Este compromisso cuja cópia impressa devidamente conferida, e rubricada vae junto a esta auto, tem um addicionamento de lado de um d’Abril de mil oitocentos e setenta e seis que anulla os seus artigos numeros trez; oito, dezasseis e vinte e um, e que egualmente vae appenso a este auto. Ouvidas estas declarações e verificada a sua veracidade, reconheceu esta Comissão, improcedente o arrolamento dos bens da irtmandade pelo que deu por terminada esta deligencia. Appensa vae tambem copia da narração historica da fundação, e instituição da Irmandade onde se relata, que após o terramoto de mil setecentos e cinquenta e cinco, D. Jose I autorizou a instalação da Irmandade dentro do Arsenal da Marinha, mandando-lhe fazer uma Capella. E para constar se lavrou este auto que depois de lido vae por todos assignado.

Ernesto Carneiro Franco

Jose Julio Ferreira Bastos

Alexandre Jose Canuto,

Jose dos Santos da Cruz Dias

Henrique Fernando Bastos

Afonso de Albuquerque Cabral da Silva.

 

[p. 175] Copia da Narração Historica

Fundação e Instituição da Irmandade do Glorioso Senhor S. Roque no se erecta Dentro do Arsenal Real de Marinha, D’esde o anno de 1755 pelo lastimoso successo do Terramoto que destruiu esta cidade._______________

Foi esta nova Irmandade do Glorioso Senhor S. Roque Instituida em confraria em o anno do Senhor em 1506, no reinado do Senhor Dom Manoel (de Felis Memoria), em cuja Epoca se reuniu a nossa corporação dos Carpinteiros da Ribeira das Náos e á sua custa edificarão huma Ermida a São Roque no sitio em que hoje se acha a Igreja da Santa Casa da Misericordia tambem dedicada ao mesmo Santo, em cujo sitio naquelle tempo se enterravão os que morrão feridos da Peste que então graçava na Cidade, onde fazião as funções do Culto Divino, e tributavão louvores a São Roque. E como no ano de 1553, com a permissão de el-Rei D. João o 3.º filho de el-Rei Dom Manoel, os Jesuitas fundaram / [p.175v.] a sua casa professa com a mesma invoçação e titulo de casa professa de São Roque, por consenções, que com eles fez, lhe foi entregue a mesma Ermida, que eles demoliram para fundar a grande Igreja, que ainda existe e de que está de posse della a Mizericordia de Lisboa. Com taes mudanças se Discordarao os Carpinteiros: e constando-lhes, q. no Convento do Carmo d’esta cidade havia huma Capella vaga, se concertarão com os Religiosos d’este Convento p.ª ali collocarem a sua Imagem de São Roque, e formarem Corpo de Irmandade, o q. effectuaram no ano de 1570 no Reinado de El-Rei Dom Sebastião e então foi que com o summo fervor, e devoção os Carpinteiros da Ribeira das Naos, d’aquele tempo, reedificaram, e como de novo fundarão, esta nova Irmandade usando já Capas pardas, e Murças pretas, como hoje tem, com tanta estimação de El-Rei, que entre outros muitos privilegios, que lhe concedeo foi um delles permitir-lhes seu Real Beneplacito usarem da insigne e Honrosa Legenda tal nas Reaes Armas tanto nas capas como em todos seus Estan / [p. 176] dartes: e formarão o seu primeiro compromisso, o qual lhe foi approvado em 9 de Dezembro de 1581, pelo Arcebispo de Lisboa Dom Jorge d’Almeida. Assim como também lhes concedeo sua Santidade em 1583 um grande summario de Indulgencias. E com tal fervor tratarão do culto Divino, e vivião com tanta fraternidade com seus Irmãos que consta da Cronica dos Religiosos do mesmo convento do Carmo ser a mais devota, e a mais rica Irmandade d’aquele tempo: e vivendo deste modo, ate ao anno de 1709, pelo muito fervor que tinhão pelo augmento do Culto Divino, e Caridade com seus Irmãos, pobres e doentes, que alcançarão por Beneplacito Regio expedido pela Meza de Consciencia e Ordens em 6 de Abril do dito anno, darem cada hum dos ditos Irmãos q. embarcassem em Galeras Mercantes 1500 reis para augmento e fundos da Irmandade, como tambem, se algum d’elles fosse Captivo de Mouros, o seu resgate correria por

conta da Irmandade. E como cada vez mais crecia a Devoção em todos /[p.176v.] os Irmãos, e igualmente o ardor da Caridade para com os seus Irmãos pobres, doentes e ao mesmo tempo conhecendo a escasseza da pequena pensão, com que contribuião não chegava para fazerem hum suficiente fundo, que pudesse com o produto dos seus Rendimentos suprir tão grandes despezas, novamente Requererão a Sua Real Magestade, para que em lugar de darem os ditos Carpinteiros 1500 reis, como ate alli davao, fosse a dita pensão levada á quantia de 4.800 reis, o que obtiveram por Provisão Regia, expedida pela Mesa da Consciência e Ordens em 5 de Março de 1715; e Confirmada e mandada cumprir pelo Conselho da Real Fazenda em 7 de Novembro de

1718; e por despacho do Provedor dos Armazens, do dito mez e anno, foi a 13 de Dezembro do ditto ano, lançado no Livro 19 do Registo da Corôa a folhas 132 Cuja pensão escrupulosamente pagarão sempre até ao fatal incendio do terramoto de 1755, em que á Irmandade lhe ficarão submergidos todos os seus bens e alfayas na referida Igreja / [p.177] do Carmo da Cidade; restando-lhe somente a Cabeça do Santo que poderão desenterrar e alguns pequenos fragmentos de suas alfaias, então os Irmãos que escaparão se verão em muito tristes circunstâncias: porem animados do fervor da devoção para com o seu Santo Protector, e da Caridade com que se amavão mutuamente correrão anciosos a El Rei Senhor Dom Jose Primeiro Feliz Memoria para a nossa Irmandade pedindo-lhe se servise de lhes mandar mandar edificar huma Capella p/a darem culto ao seu Santo. Ao que El Rei com sua piedade, e generosidade proferira de sua Real grandeza, não só lhes confirmou os Previlegios, até ali concedidos, mas lhes Mandou fazer huma nova Capella d’entro do Arsenal Reall da Marinha Expedindo Provisão pello Conselho da Real Fazenda em 22 de Fevereiro de 1756; a qual se acha registada no Armazens no livro da Corôa a fl. 46v. assim como a licença e Provisão do Ex.mo Senhor Cardeal Patriarca p.ª se dizerem as missas na mesma Capella expedidas / [p.177v.]  no primeiro de Julho do dito anno; em a qual se tem conservado até hoje como he constante. Então foi tal o animo que cobrarão os Irmãos que todos principiarão a trabalhar no augmento da Irmandade com tanto zelo que edificava; pois que cada hum fazia o que podia, contribuindo huns com a Pensão de 4.800 reis pelos seus Embarques, outros promptificando os seu annuaes, dando outros dez reis por semana, outros requerendo e pedindo em beneficio da Irmandade algumas Multas que erão postas aos Mestres de fóra do Arsenal; finalmente outros com sua zelosa administração todos concorrerão p.ª o augmento da Irmandade; pois que além da Mercê que esta Irmandade recebeu de El Rei o Senhor Dom Jose 1.º do Donativo da Capella tão somente não consta que tivessem outros donativos mais que os adquiridos pelo mor e fadigas dos Irmãos: e como pelo fatal incendio do terramoto se lhes queimasse seu compromisso por onde se regulavão para seu exemplar regime, se reunião para formar nova lei que lhes servisse de governo na parte / [p.178] administrativa, tanto do culto divino como da Caridade, com seus Irmãos pobres e doentes, em cujas duas bases tinhão lançado os seus primeiros fundamentos: o que effectuarão, com tanta descrição, e puzerão em execução com tanto zelo, e boa consciencia que se torna quasi impossivel poder-se enumerar os beneficios que se prestarão, e as cousas que se destribuirão pelos seus irmãos pobres, e doentes; não faltando aos seus deveres religiosos, isto no discurso de sessenta annos que tantos, se constam d’esde o seu começo até ao fim de 1817, em que teve lugar o fazerem-se-lhes algumas emendas. Porem a honroza Meza, que servia, em o referido ano de 1817, vendo felizmente q. na referida epoca a Irmandade se achava com mais vigor para melhor socorrer aos Irmãos Pobres, levada a huma zeloza Justiça e Caridade se deu ao trabalho de expor aos votos da Irmandade hum plano de melhoramentos para socorrer a seus Irmãos pobres e doentes, designando-lhes certa pensão, que até ali era arbitraria, segundo as forças do Cofre / [p.178v.] e por isso havia a precisa igualdade pela incerteza da Receita e igualmente prestando-lhes Medicamentos e Cirurgião, tanto aos Irmãos como ás Irmãs Viúvas dos mesmos o que unanimemente foi levado à execução, e tão escrupulosamente cumprido que parece só a Providencia Divina e a Proteção do Nosso Santo Patrono nos poderia assim ajudar; pois que desde a referida Epoca de 1817 até ao fim de 1837 se tem gasto no soccorro de nossos Irmãos pobres a vultadas somas não faltando ao mesmo tempo ás funções do Culto Divino com grande decencia e pompa. Porem como é estes ultimos annos se tem diminuido os nosso Fundos em consequencia de se ter abolido a pensão de 4800 reis que pagavão os carpinteiros das Galeras mercantes, por Portaria do Governo datada a 13 de Março de 1836, de cuja Pensão provinhão os Fundos da Irmandade como tambem pelo grande prejuizo, que sofre a Irmandade, no desconto do papel moeda, pelo auge a que tem chegado a estes tempos, e nestes se lhes tinhão feito gran/ [p.179] des despezas com os nossos Irmãos Pobres, se tornou necessario o Fazerem-se algumas economias na Despeza; e que os Irmãos a soffrem, em algum piqueno abatimento, nas esmolas e em algum pequeno augmento nos annuaes. Por cujo motivo o Irmão Juiz, de acordo com a Meza convocou Junta Grande de Irmãos expondo á Irmandade a necessidade de se fazerem algumas emendas no Compromisso a fim de que com elas a Irmandade pudesse continuar a fazer tanto as suas funções Religiosas, como a socorrer a seus Irmãos pobres, o que teve lugar em 13 de Maio de 1838 sendo em o mesmo dia decidido pela Junta, que se encarregassem alguns Irmãos dos mais inteligentes no negocio da Irmandade para fazerem a dita reforma; a qual depois de feita fosse apresentada pelo Irmão Juiz em outra Junta no dia 1 do mez de Maio de 1839. E sendo unanimemente Approvado, foi lançado em o novo Compromisso o qual vae ao diante escrito em 24 Capitulos, com hum preambulo em que se mostra a necessidade da mesma.

Lei para bem se governar qualquer Corporação em Justiça e acerto.________

______________________Está conforme________________

Lisboa, 22 de Agosto de 1911

Pelo Secretário de Finanças

Affonso Albuquerque Cabral da Silva Amaral”

(Arquivo Digital, Ministério das Finanças - São Julião. http. 213.58.158.153/Arquivo-CJBC-LIS-LIS—AROOL—024/1/P24.html).

 

A 7 de Agosto de 1911, a Comissão Revisora apresenta à Mesa, os trabalhos para a elaboração do texto dos novos Estatutos. Dez dias depois, é apresentado em reunião de Junta Grande o relatório da Comissão “nomeada para diligenciar a maneira de transformar a Irmandade numa Associação de Socorros Mútuos”, todavia não reúne o número legal de Irmãos e o assunto é transferido para a reunião seguinte.

A 25 de Setembro é realizada a nova reunião, na qual estão presentes 37 Irmãos e “servindo de Presidente, o Juiz Alexandre José Canuto e os secretários Armando Faria e Eduardo Bouça”. As opiniões dividem-se: uns querem manter-se como irmandade católica, continuando a assumir os encargos com o capelão e as missas e outros querem a transformação em uma associação de socorros mútuos. O Irmão António Joaquim dos Santos afirma que “estamos sobre um vulcão que podia muito bem ir pelos ares a casa onde estamos, de um momento para o outro podem-nos mandar sair, e para onde averiamos de ir, isto de culto nada tem valor para os nossos interesses e opta pela transformação em associação”. Em oposição, o Irmão Sebastião Nunes, enquanto elemento da Comissão, afirma “as missas quotidianas nos traz um encargo bastante grande, no entanto não vê como a reforma pode remediar esse mal, suprimindo as missas por uma festa anual”. O Irmão Guilherme Júlio d’Almeida dizia ser falsa a afirmação que “a Irmandade era humilhada por qualquer autoridade do Arsenal” e asseverava que a Irmandade continua a ter o mesmo prestígio e a mesma autoridade. (Cota: Livro 9.º das Deliberações da Direcção da Irmandade dos Carpinteiros Navaes, erecta na sua antiga ermida de S. Roque no Arsenal da Marinha)

Com a implantação da República cessou o culto na Capela. Neste ano, a Irmandade tinha 56 Irmãos, na sua maioria operários aposentados.

Na imprensa divulga-se:

Arsenal da Marinha. A Irmandade de S. Roque erecta na ermida d’aquelle estabelecimento hade receber, no dia 3 do corrente, o Lausperene, sendo as festividades com missa e música vocal e instrumental, começando às 11 ½ da manhã festa á Senhora das Dores, e á tarde às 7 horas, terço de Benditos.

Dia 4, festa a S. Roque, orago; de tarde às 6 ½, Te Deum instrumental. Dia 5, solemnidade ao Menino Jesus dos Aflitos, em seguida reposição ao Sacramento. Assiste a estas festas, por já estar restabelecido da grave doença a que foi acometido, o sr. José Joaquim dos Prazeres, hábil contramestre das construções navaes do mesmo arsenal e juiz daquela irmandade, que é só composta de operários carpinteiros da referida classe." (Diário de Noticias, 1 de Setembro de 1881, p.1).

O Compromisso da Irmandade de São Roque erecta na sua Ermida no Arsenal da Marinha é aprovado em Junta Grande, na casa de despacho da Irmandade, a 1 de Agosto e tem as assinaturas de 28 Irmãos e dos elementos da Mesa:

  • Juiz - Henrique Carlos da Conceição
  • Assistente do Juiz - Pedro Gomes
  • 1.º Secretário - João Gomes Bastos
  • 2.º Secretário - Joaquim José Balazar
  • Tesoureiro - Francisco Rodrigues da Conceição
  • Procurador da Irmandade - José Maria
  • Procurador da Mesa - Manoel de Sousa
  • Enfermeiro do Bairro Alto - João Baptista
  • Enfermeiro do Bairro de Alfama - António Joaquim Martins

Os Estatutos são aprovados por Carta Régia de 7 de Abril de 1865.

 

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Compromisso da Irmandade de São Roque erecta na sua Ermida no Arsenal da Marinha, aprovado em Junta grande, na casa de despacho da Irmandade, o documento é assinado em 1 de Agosto de 1864

Capitulo 1º

Artigo 1º

A Irmandade de S. Roque, erecta na sua própria Igreja sita dentro do Arsenal da Marinha, é uma Associação de pessoas que, professando a Religião Catholica, apostólica romana tem por fim:

  1. prestar culto à imagem do de S. Roque.
  2. socorrer seus Irmãos ou Irmãs, em suas enfermidades, e prestar-lhes pelo seu falecimento um decente enterramento.
  3. socorrer os irmãos que naufragaram, ou as famílias dos que forem vitimas do naufrágio.
  4. dotar anualmente uma orfam, filha de Irmão.
  5. orar pelas necessidades espirituais, e temporais de seus irmãos vivos e defuntos, e sufragar as almas dos falecidos.

Artigo 2º

Para ser inscrito nesta Irmandade requer que o candidato tenha um bom comportamento moral e civil, e religioso, que exerça profissão de Carpinteiro de Machado, que mais propriamente, para os efeitos do compromisso, se denominarão – Carpinteiros de Navios -, havendo completado o tempo de aprendizagem; que tenha os meios necessários para satisfazer os respectivos encargos; e que se não ache afectado por moléstia, pela qual se possa julgar prejudicial à Irmandade a sua admissão; devendo ser previamente inspecionado pelo facultativo da Irmandade.

  1. O primeiro construtor do Arsenal da Marinha poderá ser admitido na Irmandade quando a Meza o julgue conveniente.
  2. Só poderão ser admitidos como Irmãos, os individuos de maior idade, ou emancipados.

Artigo 3º

Toda a pessoa inscrita paga jóia de quatro mil e oitocentos reis, trezentos e sessenta reis por cada ano que exeder aos vinte de idade e de anual trezentos e sessenta reis, assinado o Termo pelo qual se sugeite a cumprir os encargos, que são:

  1. assistir a todos os actos da Irmandade, e às reuniões de Junta Grande
  2. servir os lugares da Meza para que for eleito.
  3. concorrer, extraordinariamente, segundo os seus meios e vontade para as necessidades da Irmandade”.

Início do agravamento financeiro da Irmandade e os Irmãos manifestam a necessidade de se rever o Compromisso e dotar o futuro regulamento de maior eficácia. A frágil situação financeira mantém-se nos anos seguintes e, no ano de 1843, é vendida a banqueta de prata com o objetivo de obter maiores recursos para as suas ações de assistência. Nesse ano é assinada uma petição dirigida á Rainha, onde se solicitava a escusa da Irmandade apresentar as suas contas à administração civil. O documento é assinado por 60 Irmãos, que consideravam que a Irmandade “não é do povo como as demais, pois nela só podem entrar os Mestres e oficiais de Carpinteiros de Machado. É privada e particular e está sujeita á autoridade do Arsenal e não recebe legados” (cota: 6750: 6 xxxviii-2-5).

A Irmandade agradece ao engenheiro construtor Manoel Luiz dos Santos, os trabalhos realizados e entrega uma carta patente de Irmão. Esta distinção também é atribuída ao construtor Torquato Joze Clanina e ao Mestre Julião Pereira de Sá (Cota: 6750: 6 xxxviii-2-5). 

 

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“Recibo n. 2 Recebi do Sñr Joze Antonio da Trindade como actual Juiz da Irmandade de S. Roque do Arsenal da Marinha a quantia de duzento e cecenta e três mil, e cem reis; procedidos da despeza q. fiz com as ferias da Obra de Pinctura d’Ornato da Capella da d.ª Irmandade de que fui encarregado (sic) pelo dito Senhor: o que por ser verdade, assinei a folha que consta da dita quantia, a que me reporto no prezente recibo, que igualmente assino. Lx.ª, em vinte e dois de Março de mil oitocentos, e trinta e seis.

José Francisco Ferreira de Freitas”

 

“Recibo n. 5. Recebi do Sñr Joze Antonio da Trindade como actual Juiz da Irmandade de S. Roque do Arsenal da Marinha a quantia de setenta e três mil outocentos, e noventa Reis metal porcedidos da pintura q. fiz de figura na ditta Capella por ordem do d.º Sñr __. Assaber quatro Evangellistas e quatro virtudes, e reparo do Painel de S. Roque.

Oitenta dias, a 900rs     72$000

Tintas para as ditas       1$890

                                      73$890

E como recebi a dita quantia paço o prezente recibo q. acino.

L.ª em 20 de Março de 1836

Norberto Joze Ribeiro”


Realização do Inventário de todos os bens, fabrica e ornamentos de S. Roque do anno 1805, p.ª diante (cota: 6-XXXVIII-3-1).

Pagamento do silhar de azulejos da Capela de S. Roque com cenas da vida de São Roque.

 

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“Na nossa Caza do despacho do Glorizo Sam Roq.e sita no Real Arçenal da Marinha, desta Sidade de Lisboa, estando prezentes o noso Irmão Juiz e mais Irmoens, que este prezente anno Servem em Meza foi com mais definidores, abacho asSinados, consultado em votos de que se pagaçe O Azoleçho, que foi encomendado, pela Meza, que Servia no Anno de mil e Oitocentos e hum, para o Anno de mil e Oitocentos e doiz, os quais todos Vutarão emforma emente, de que se pagaçe, e por falta do Irmão Secretario de não Crer fazer este termo determinou a mesma junta que se fizese e aSinasse como Secretario que já Servi nesta Irmandade; dia hera Supra. Francisco Joze Henriquez” (Acta da Mesa, 4 de Dezembro de 1803, Termo da Meza, 4 de Dezembro de 1803, Livro 2.º de Termos e Acordos da Irmandade, n. 6749, 2#3-6-XXXVIII-2-4, fl. 77).

 

pormenor painel retiro floresta“Retiro na floresta”. Pormenor de um dos painéis historiados com os passos da vida de São Roque

A Mesa é constituída por:

Procurador João António Santos
Assistente Joaquim dos Santos
Procurador da Irmandade José António Sousa
Secretario José Diogo
Tesoureiro Paulo Gomes Correia

A Irmandade tinha por fins o “Culto a Deus debaixo da Protecção de S. Roque socorro Mantos dos seus Irmãos Pobres a sim foi Instituída como confraria – Anno de 1506= no Reinado de El Rei D. Manuel por – a – corporação dos Carpinteiros de Machado em huma Ermida que os dittos fizerão a sua custa no sitio em que hoje se acha a igreja de S. Roque desta cidade dedicado ao mesmo santo a qual tomarão por Protetor / organizada, e confirmada como Irmandade em o anno de 1570= no Convento de N. Sr. do Carmo de Lx.ª a donde esteve athe ao therramoto de 1755= e desde então athe hoje na sua Ermida dentro do Arcenal da Marinha cuja lhe mandou fazer e doou a esta Irmandade El Rei D. Joze 1º”.

Os rendimentos certos provinham dos anuais dos Irmãos e do juro do dinheiro aplicado. Não possuíam legados ou donativos se não os seus. Aplicavam os seus rendimentos em duas grandes áreas: o culto e o socorro dos Irmãos pobres. As despesas com o apoio aos Irmãos são aplicadas com o Cirurgião e Botica, e com a entrega de um subsídio diário de 240 réis a 320 réis aos Irmãos e de 160 réis às Irmãs.

O advogado António de Freitas e Azevedo escreve, a pedido da Mesa da Irmandade, as Memorias Históricas da Real Irmandade do Gloriozo S. Roque dos Carpinteiros de Machado. Estabelecida na sua Capela do Real Arsenal da Rib.ª das Naus.

 

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“Memorias Históricas da Real Irmandade do Gloriozo S. Roque dos Carpinteiros de Machado. Estabelecida na sua Capela do Real Arsenal da Rib.ª das Naus que escreveo por ordem da Meza. O D.or Antonio de Freitas e Azevedo. Advogado da mesma Irmand.e, e nos auditorios desta Corte, e Caza de Suplicação. Anno de 1781

Introdução p.ª as Memorias Historicas da Irmandade de S. Roque cituada no Real Arcenal da R.ª das Náos

Foi esta Irmandade huma das primeiras; que se estabeleceo nesta Cidade de Lisboa debaixo da proteção Real com m.tas perrogativas, e privilegios tudo digno de memoria: O Lamentavel Terramoto do 1.º de Novembro de 1755, e incendio a elle sucessivo fez com que abrazado em fogo o Real Convento do Carmo, aonde a mesma Irmand.e se achava estabelecida, não só reduzio a cinzas as ricas alfaias que tinha, mas igualm.te todos os seus papeis, e cartorio de sorte que ficou a mesma Irmandade sem especifica noticia da sua origem, e perrogativas; porem dezejosos os devotos Irmãos, que estão servindo a meza entrarão no pensamento de recuperarem no modo posi/Posivel as noticias da mesma origem e perrogativas, p.ª que augmentandose a devoção atão grande Santo cressese igualm.te o zello nos seus Irmãos prezentes, e futuros, que devem ter a certeza que tudo elle lhes hade remunerar, intercedendo a Deos p.ª que os Livre de todo o Contagio tanto na Alma como no Corpo, imitando-o nas virtudes em que tanto floreceo, como melhor se verá do contexto da sua vida e milagres./(…)

(…) Fazendo eco neste Reyno de Portugal as maravilhas, que o bravo S. Roque em França, e Italia no reinado de D. João o 2.º, aconteceo reinando o felicissimo Rey D. Manoel, verse acometida esta Cidade de Lisboa do contagiozo mal de peste motivado de huá Náo Veniziana, que entrara neste Porto, recorreo o mesmo Rey a Senhoria de Veneza, aonde se acha o Corpo de S. Roque, p.ª que lhe mandasse algumas reliquias, e tanto que estas chegarão forão Re/ recebidas do dito Rey, da Corte, e Povo com grande devoção as quais forão colocadas em húa Ermida, que se lhe erigio naquelle mesmo Campo, em que se costumavão sepultar os que morrião empestados.

Foi a d.ª Ermida edificada á custa dos devotos e entre estes se enumerão os Carpinteiros da Rib.ª das Náos, sendo a mesma fundada no anno de 1506, e depois vierão os Jezuitas, que 12 annos antes tinhão entrado neste Reyno; a tomar pose da pred.ª Ermida por convenção, que fizerão no anno de 1553, por intercessão de El Rey D. João 3.º; dividindo-se a mesma convenção em tres condições. 1.ª que sempre se conservaria hum Altar dedicado ao mesmo Santo, 2.ª que no dia competente se lhe faria sua festa com muzica; 3.ª que a nova Igreja, q(ue)  se fizesse sempre conservaria o titulo de S. Roque.

Cresceo a devoção ao dito Santo, porque cessou o contagio, o q(ue) deo cauza a q(ue)  o Povo mandasse fabricar varias Imagens, q. se colocarão em differentes igrejas, sendo huá dellas a Metropole desta Cid.e de Lisboa e outra a de N. Sr.ª do Restello no Lugar, a onde hé chamado de / de Belem, onde os PP.es de S. Jeronimo fundarão o seu Conv.to; a cuja Igreja hião os que embarcavão p.ª a India a rogar a mesma Senhora, p.ª q(ue)  lhes dese boa viagem, o q(ue) praticavão ao tempo do embarque.

No anno de 1423, entregou o grande Condestavel deste Reyno, a Igreja, q(ue)   mandou eregir em cuja fabrica se gastarão 33 annos, aos religiosos do Carmo, cuja tradição foi feita no primeiro capitulo, que elles celebrarão neste reino, sendo Certo, que na dita igreja não havia Capella de S. Roque, porque a devoção deste Santo principiou 83 annos depois quando vierão as suas Reliquias de Veneza.

Junto á porta da d.ª Igreja havião dous vãos, hum da parte da direita, e outro da esquerda, em que não havião Altares, por lhe ficar de encontro a escada, que descia p.ª a mesma Igreja com bastantes degráos, e servia esta cauza, porq(ue) o grand.e Condestavel naquelles dous vãos não mandou edificar Altares, o que com evidencia se prova, pois se na / se na quelle citio houvesse Capella de outra Imagem sempre esta se havia conservar, segundo a forma do costuma, no painel do Retabulo, e como a Capella, que havia naquelle citio, não tinha outro painel, senão o de S. Roque, em outro Santo de vulto, hé consequencia de que a d.ª capella foi fabricada de novo p.ª o d.º Santo, e q(ue) não havia outra naquelle lugar, que fosse mais antiga.

Passados 147 annos depois de estarem os Religiosos de posse da d.ª Igreja, he provavelm.te certo, q(ue)  aquelles Carpinteiros velhos, propagadores da devoção de d.º Santo, e seus Confrades escandalizados da convenção, q(ue)  os outros tinhão feito no anno de 1553, com os Jezuitas, sem os ouvirem, sendo membros do mesmo Corpo, não esfriando na devoção, juntos com os seus filhos e parentes da mesma occupação, pedirão aos d.os Religiozos o vão, p.ª ali fabricarem Altar ao d.º Santo, porq(ue). no anno de 1570, lhe erigirão Irmandade uzando de vestes, e murças pretas com seus capelinhos.

O Retabulo do d.º Altar consistia em hum / painel, em que servia de huá, e de outra parte pintados varios feridos de peste, lançados em cama, de baixo de barracas, e no meio, em lugar mais alto S. Roque, cujo painel, segundo a tradição de alguns Religiozos antigos foi feito por aquelle grande pintor Portuguez chamado Bento Coelho, q(ue) floreceo neste tempo e não no de 147 annos antes, e não obstante ser erecta a d.ª Irmandade no anno de 1570, o Compromisso q(ue)  fizerão p.ª seu governo, foi aprovado por D. Jorge de Almeida, Arcebispo de Lisboa em 9 de Dezembro de 1581, onze annos depois da sua ereção, e este descuido, que os irmãos tiverão em o fazer, ou em o aprovar tanto depois não deve prejudicar á antiguid.e da d.ª Irmand.e pois se lhe deve contar 211 annos desde a sua ereção.

Os Irmãos da d.ª Irmand.e fizerão varios acordos p.ª o seu bom regimen, e hum delles foi q(ue) todos os Irmãos, que embarcassem p.ª fora comprehendendo os que trabalhavão nos Estaleiros do Reyno, pagarião das suas soldadas 1500rs, que depozitarião em o Cofre da dita Irmand.e, p.ª dali se tirar o Resgate dos que fossem captivos a poder dos Mouros, e p.ª sua valid.e alcançarem Provizão Regia expedida pella / Meza da Consciencia e Ordens em 6 de abril de 1709.

Mostrou a experiencia ser limitada a dita porção de 1500rs, p.ª o que se aplicava, e por novo Acordão se augmentou, mandando que cada hum prestasse a quantia de 4800rs, o que foi confirmado por Provizão tãobem Regia, expedida pela sobred.ª Méza em 5 de Março de 1713, e o concelho da Faz.ª a mandou cumprir, e Registar em 7 de Nov.º de 1712, e por despacho do Provedor dos Armazens do d.º mes, e anno foi Registada a 13 de Dezembro do d.º anno, no livro 19 do Registo da coroa a f. 132, e a margem se lé a verba seguinte = os ditos 4800rs, que cada hum paga, se lhe tirão da sua soldada, e ao Mestre do Navio em que vão, os deve entregar antes de sahir do Porto, porquanto não mostra, que os tem entregues se lhe não dão os despachos.

Passados annos depois de eregido o dito Altar ao Referido Santo, se fabricou no lado direito em correspondencia outro Altar, que se dedicou a S. João Baptista, sendo esta Irmand.e sempre / bem regida, dando m.tas esmollas aos seus Irmãos pobres, fazendo-lhes á sua custa os enterros, e de suas molheres e filhos, e ainda dos domesticos: Nas mangas da Cruz de acompanhar, e nas Murças trazião bordadas as Armas Reaes, de cuja demonstração se patenteia ser a d.ª Irmandade da protação Real, de que nunca houve duvida.

Costumavão os Irmãos em todos os dias de guarda acompanhar com suas vestes, e tochas acezas da Sancresthia ao Sacerdote, que hia celebrar a Missa da Irmandade no Altar do d.º Santo, accendendose p.ª isso toda a Cera, que estava na banqueta, que nunca erão menos de seis velas: Na Portaria principal do Concento tinhão duas Cazas, que lhes deo a Comunid.e; huá servia p.ª as Conferencias da Meza, e outra p.ª a guarda das alfaias.

Tinhão as Mulheres dos irmãos da d.ª Irmand.e tanta devoção com o d.º Santo, e tão viva fé na sua intercepção, q(ue)  d.do cazavão alguma filha o traviceiro, q(ue)  lhe servia na noute de noivado, o tra-/ o trazião de offerta ao d.º santo, p.ª q(ue)  pedisse a Deos conservasse aos cazados em páz, o que afirmão alguns Religiozos, que ainda há vivos, de assim aprezenciarem cujos traviceiros erão Regularm.te de pano fino, cheios de rendas, e atacados huns com fitas, outros com botõens de Cristal da India, e alguns com elles miudos de prata, de q q(ue) a d.ª Irmand.e se utilizava, mandando os vender no fim do anno por mão do seu Procurador, havendo traviceiro destes, que por vezes vinha apoder da d.ª Irmand.e; porque m.tas das outras mulheres de Irmãos os vinhão comprar, p.ª em semilhantes ocaziões dos cazamentos das filhas, os virem ofertar ao dito Santo; porem como esta devoção era acompanhada de despeza, se foi minorando de sorte que haverá 60 annos, que inteiram.te terminou.

Por permissão Real não perdião os Irmãos o soldo da Rib.ª nas tardes, em que hião acompanhar os seos defuntos, nem q.do hião tratar do Altar do Santo, nem ainda quando hião pór os bens da Irmand.e em arecadação, e virião em tanta Confraternid.e com os Religiozos, que em hum dia de Outa- / Outavario dos Santos, em que faziam officio solemne pelas Almas dos seus Irmãos defuntos, davão a todos os individuos da Religião hum Merendeirinho bento, q(ue)  quatro fazião a porção de hum vintem de pão, que os religiozos aceitavão mais pelo amor, com que offertavão, como pela entidade da offerta, e nesta forma se conservou a d.ª Irmandade no d.º Convento, athe ao Terramoto do 1.º de Novembro de 1755.

Hé o Referido estabelecimento em huá atestação jurada do P. e M. e Fr. Euzebio de Sá Bernardes, Religiozo do Carmo Calsado desta Cidade feita em 10 de Maio de 1781, e reconhecida por verdadeira em 12 do d.º mes pelo Tabalião Joze Martiniano Rodrigues da França, sendo a mesma attestação deduzida da Coronica dos Carmelitas, q(ue) no tomo 1.º parte 4 § 1487, trata da d.ª Capella, denominando-a ser 9.ª da parte Septemtrional, e juntam.te da d.ª Irmandade, e que esta era Composta dos Carpinteiros da Rib.ª das Náos, e que seu Compromisso se compunha de 27 Capitulos, e a d.ª Capella era das mais ricas, por se achar ornada de muita prata.   Affirmando / Affirmando mais, que a d.ª Irmand.e era das mais bem regidas, e cuidadoza em dezempenhar as funções publicas, sendo promptissima em a companhar os seus Irmãos defuntos, e que tinha tal carid.e, que não só fazião as despezas do enterro das mulheres dos Irmãos, e filhos destes que erão pobres, mas ainda dos seus familiares, pois a acopanhavão como se fossem proprios Irmãos, e que erão continuos os suffragios, que mandavão fazer pellos seus irmãos defuntos.

E que em huma Dominga dezempedida festejavão com grandeza ao Gloriozo S. Roque, tendo p.ª tudos os ornatos precizos e por ser independente das demais Irmandades, obtiverão Provizão Ecclesiástica p.ª não poderem emprestar couza alguá da sua fabrica, gozando das mais prorógativas, que refere a d.ª attestação, que em tudo se confirmou com a referida Coronica e juntam.te com as Memorias Historicas da d.ª Ordem do Carmo, que compós o P. e M. e Fr. Manoel de Sá, que na 1.ª part. Cap. 7 § 219 a p. 124, tratou da mencionada Capella, e Irmandade asseverando, que ella era antiga em aquelle Convento, / e que tinha Breve de Comunicação de todas as Indulgencias concebidas á Bazilica de S. João de Latrão.

 

Anno de 1755

Acontecido o Terramoto do primeiro de Nov.º do d.º anno, os Irmãos, que nesse tempo serviuão em Meza, que erão Juiz Joze Glz Chaves, Secretario Francisco Xavier, Thezoureiro manoel Glz. Gestera e procurador Antonio Pereira, logo com todo o zelo, e devoção acodirão ao dezentulho da d.ª Igreja do Carmo, e com effeito acharão illeza a cabeça da Imagem do Gloriozo S. Roque, com o seu resplendor de prata, que hé a que ainda se venera hoje, pois se lhe mandou fazer um corpo, e acharão dois Anjos de madeira, quqatro castiçãis de prata lizos, e alguma prata queimada, que pezou duas Arrobas, e vinte arr., que ficou dentro de huá alcofa, e tudo entregue aos d.os Religiozos, e juntam.te se achou em dinheiro no dezentulho da Caza do despacho aq.tia de duzentos, e tres mil, seiscentos, vinte e sinco reis, / e o se lhe restituio huma Imagem pequena do d.º Santo, que estava em Caza do Marques de Abrantes, porque costumavão os Fidalgos nas occaziõens de doença mandarem buscar a d.ª Imagem, pella g.de devoção que tributavão ao mesmo Santo.

 

Anno de 1756, p.ª 1757

Continuando a servir em Meza os d.os Irmãos, e pertendendo restabelecera d.ª Irmandade recorrerão estas a piedade do Snr Rey D. José o 1.º; que Deos haja em gloria, p.ªque lhes concedesse Licença de edificarem dentro da rib.ª das Náos huma Capella e cuja rogativa, sendo attendida pelo mesmo Sñr, foi servido mandar por seu Regio Avizo, expedido em 22 de Fevereiro de 1756, ao Concelho da Fazenda, o qual se acha registado nos Armazens no Livro da Coroa, a f. 46, que a d.ª Irmandade podesse dentro da d.ª Ribeira edificar huá Capella de madeira, em lugar daquella, que tinham tido na Igreja do Carmo, emq.to se lhe não dava Lugar, p.ª que fosse de pedra e cal, e que nella se fazião todas as funções da sua Irmandade, / e que a Missa nos dias de Semana se diria á horas de almoço, p.ª della se aproveitarem os officiais da d.ª Ribeira.

Obtida a d.ª Regia Faculdad.e convocou a d.ª Meza os Irmãos, que tinhão embarcado, es andavão naquelle tempo em os navios mercantes, e lhes propôs, que o voras Incendio do referido Terramoto tinha destruido a d.ª Irmand.e, e que esta se achava impossibilitada, p.ª poder fazer a d.ª Capella, e ornala de paramentos necessarios, porque satisfazendo aos suffragios dos Irmãos, que tinhão falecido no d.º Terramoto, que forão quarenta e dous; fizera a despeza de duzentos sesenta e outo mil e outocentos reis, e que neste cazo só se poderia valer do rendimento do Capital, pertencente ao Cofre, que recebia os quatro mil, e outo centos reis, que pagava cada hum dos ditos Irmãos por viagem, p.ª a redempção dos irmãos captivos, por não ter tido o dito Capital perda alguma; por quanto as cazas do beco dos mortos em Alfama não tinhão tido Ruina, e existião os outros mil cruzados nos PP.es da Companhia, e outras mais dividas bem paradas. A esta/ A esta proposta rezolverão os dito Irmãos uniforme, que a d.ª Irmand.e podese uzar de ametade do dito rendim.to, p.ª ajuda da despeza da d.ª Capella, e Relação de sua fabrica, ornamentos, dando inteiro cumprim.to as clauzulas do termo na distribuição da outra metade o que tudo melhor contará no Livro dos termos da d.ª Irmand.e  Edificou a d.ª Capella impetrando-se ao mesmo tempo Licença do Cardeal Patriarcha p.ª a sua edificação, que aconteceo por Provizão expedida no 1.º de Julho do mesmo anno, a facultou tão bem de poder celebrarse na d.ª Capella o S.to Sacrificio da Missa dando ao mesmo tempo comisão ao R.do Parocho da freg.ª do distrito, p.ª a poder benzer, o q. a sim se executou Conduzindo-se a Imagem do d.º Santo em huá solene Procição que sahio da Igreja da 3.ª Ordem acompanhada com a Comunid.e da mesma Ordem.

Em 23 de Fev.º de 1757 se convocarão em Junta os Irmãos, q(ue)  tinhão embarcado, e embarcavão e se lhes propós aquella mesma indigencia em q(ue)  a Irmand.e ficara pelo estrago do Incendio do d.º Terramoto, e que / seria licito q(ue)  se beneficiar se e a Meza administrase o cabedal pertencente a Redempção dos irmãos Captivos, p.ª cujo fim dava cada hum dos que embarcavão quatro mil e outo centos reis dirigindose o seu rendim.to em duas partes, huá aplicada na forma ja referida, p.ª a despeza da Capella, Ornam.tos e

mais fabrica necess.ª e a outra p.ª se secorrerem os pobres, Velhos, e doentes, e p.ª dotes de orfãs, filhas daquelles que pagavão a referida pensão distinção de serem desta Corte, e Cidade de Lisboa, do porto, onde outra qualquer parte, porq(ue) bastaria que lhes tivesem pago a predicta pensão, ainda que tivessem embarcado em Navios Mercantes, sendo as mesmas orfas de Louvavel procedim.to; perferindo em prim.º lugar as filhas dos d.os, q(ue) embarcão e em segundo as dos Irmãos, q(ue)  servirem em Meza, e depois as mais.

E ao mesmo tempo veio em lembrança a inviolavel observancia, p.ª que fora estabelecida a contribuição dos d.os quatro mil e outo centos reis de ser resgatado aquelle, que fosse captivo, dentro em tres annos, socorrendose a mulher com quem fosse cazado, todos os mezes com huma esmola, e sendo Viuvo / tendo filhos, q(ue)  estivessem debaixo do seu patrio poder o mesmo se praticaria com estes, cujo acto de Carid.e se deveria tão bem uzar com aquelle que sofresse naufragio, porque escapando delle seria tão bem socorrido, e morrendo nelle, sua mulher e filhos gozaria do mesmo beneficio, e isto se entenderia sempre com aquelles, q(ue)  pagasem a d.ª pensão dos quatro mil e outo centos reis, ou fossem Irmãos, ou não, o q(ue)  tudo condescendeo a d.ª Junta, recomendando á Meza, q(ue)  não houvesse descuido, ou omissão em se exerfcer tão santa acção de Caridade, antes faltando a ella darião estreitissima conta a Deos de semilhante falta.

Neste mesmo anno recebeo a d.ª Irmand.e hum legado, que lhe deixara Ant.º Ramos, filho de Joze Ramos, dezempenhando asim o grande afecto, que sempre teve a mesma Irmand.e ; dispendendo a d.ª Meza ate ese tempo a quantia de seis centos e quarenta e outo mil seis centos e vinte reis.

Anno de 1757, p.ª 1758

Os mesmos Irmãos, que ficão referidos, continuarão a servir em Meza este anno, no qual se recebeo a quantia de cento e suto mil e outo centos reis, que mandou de esmola o Irmão Lourenço du traujo, existente na Bahia, a qual tirou na Nau Carid.e nesse anno houve hua Vizita geral pelos Irmãos pobres, em que dispendeo a quantia de outenta e hum mil e duzentos reis, e nelle se promulgou a Ley do 1.º de Fev.º de 1758, que individuando os emolum.tos, q(ue)  se devem pagar p.ª se dar despacho aos Navios, manda se arrecade dos Irmãos, que embarcão os quatro mil, e outo centos reis p.ª a d.ª Irmand.e.

(…)

Anno de 1789, p.ª 1790

Seruirão em Meza este anno de Juiz Antonio Joaquim de Oliv.ª de Secretario Guilherme Caetano da Crus e de Thesoureiro Felipe Joze deniz, de Procurador Manoel Roiz de Carvalho e neste anno se fes o ornamento p.ª o S.to da Capa e mais pertences que emportou quarenta e quatro mil e quatro sentos e vinte reis e com os Irmaons Pobres a coantia de setenta e sete mil e seis sentos e outenta reis.

Anno de 1790, p.ª 1791

Continuarão a servir em Meza os mesmo Irmaons excep.to os lugares de Secretario e Procurador Cujos exzerseram de Secretario Elias Joze de Lima e Procurador Fran.co Roiz Chaves e neste anno se despendeo Com os Pobres setenta e sinco mil e nouesentos e setenta reis e com o Cofre de ferro com tres fixaduras quarenta e outo mil reis= em vinte e dois do Mês de Nouembro de 1791 se achou robado o Cofre e faltou dinheiro q(ue) nelle dentro se achava o qual pertencia aos Catiuos e Pobres e a Irmandade o q(ue)   tudo fazia a soma de tres contos e sento e trinta e outo mil duzentos e quarenta e sete reis e como Minha Compta L.º de Termos e aCordos a f. 52” (cota: cota 6-XXXVIII-2-5).

 

protocolo procissoes acompanhamento funeraisProtocolo para as procissões ou acompanhamento de funerais segundo as determinações estabelecidas no Compromisso de 1777

A Irmandade manda imprimir a Novena ao Glorioso São Roque “e será muito do agrado de Deos Se faça nos dias, que finalizemm naquelle da sua festividade, porque pella sua intercessão serão livres do contagiozo mal do pecado, e conseguirão a eterna Gloria” (AZEVEDO, António de Freitas e, 1781).

A 25 de Maio é aprovado um novo Compromisso, que vem substituir o primitivo documento que desapareceu com o Terramoto de 1755.

Nos seus 21 capítulos expressam-se os deveres dos Irmãos: «Pagar o anual; Socorrer os Irmãos pobres com uma esmola e prover a visitação pelo enfermeiro; Todo o Irmão que embarcar em Navio, Nau, Fragatas ou outro navio de S. Magestade deve dar 200 rs por cada viagem ao Brasil e 400rs se for a Goa; Missas pelos defuntos e benfeitores; Aplicar o dinheiro a juro para o resgate de cativos e para o socorro das viúvas e órfãos; Proceder à eleição no último Domingo do mês de Julho».

 

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“Compromisso da Irmandade do Gloriozo São Roque, que se compõem dos Officiaes de Carpinteiro, que trabalham no Arsenal da Ribeira das Náos, que por se consumir o primeiro no incêndio do terramoto de Novembro de 1755, se acha novamente reformado em 25 de Mayo de 1777.

Considerando nós que sem Estatutos, e Leys se não pode bem reger qualquer Administração, especialmente as Irmandades, cujo trabalho cahe em nós Mezarios, e que na falta de Estatutos he certa a confuzão no governo, como em parte temos experimentados na falta de Compromisso, que se consumio no incendio do terramoto em o primeiro de Novembro de 1755; acordámos em fazer este novo Compromisso com os Capítulos necessarios, e segundo os do antigo, que temos delles noticias, por Irmãos que delle tinham lembranças, e tudo ao Santo fim de que no culto da Imagem do Gloriozo São Roque, e na caridade e amor fraternal sejamos sempre agradaveis a Deos, não nos afastando das obrigaçoens aqui escritas, e antes cumprindoas com zello, e cuidado para a gloria de Deos, e do Gloriozo São Roque.

 

Cap.º 1º

Da qualidade, e obrigação dos Irmãos, que ham de ser admittidos nesta Irmandade.

Somente serão aceitos para Irmãos desta Irmandade sujeitos que sejam ou tenham sido Officiaes de Carpinteiro de machado, sendo de bom procedimento, e tementes a Deos; e que bem possam servir na Mẽza quando para ella forem eleitos: seram cuidadozos nas suas obrigaçoens, devendo acompanhar os Irmãos defuntos quando para isto forem chamados, e para outros quaisquer actos da Irmandade, para quem daram de sua Entrada Novecentos e sessenta réis, e para os Pobres Duzentos e quarenta réis, sendo cazados: e sendo solteiros, tomando estado de cazado abilitaram suas mulheres no prefixo termo de seis mezes, para gozarem dos predicados de Irmãos e poderem por falecimento de seus maridos ficar sempre admittidas pagando geralmente seus Annoáes.

Todos os nosso Irmãos teram obrigação de pagar o seu Annoal cada anno de Trezentos e sessenta réis, e suas mulheres por falecimento de seus maridos estando abilitadas ficaram somente pagando de seu Annoal Duzentos e quarenta réis em quanto Viuvas, e tornando a cazar pagaram o Annoal de trezentos, e sessenta réis, pois que continuam a ser Irmans, excepto se cazarem com Irmãos da ditta Irmandade, porque neste cazo ficaram isentas de pagarem o ditto pelo ditto seu marido, tendo todos esses muito cuidado de os pagar e andarem correntes com eles para que permanecão inteiramente completadas as obrigações da Irmandade e todo/ [p. 2] e todo o Irmão que no espasso de tres anos não pagar os seus Annoaes, será chamado á Mẽza pelo Procurador della, para se lhe conhecer a cauza porque não paga, e não se lhe conhecendo cauza urgente, que o impossibilitase a pagar, se lhe porá cota em seu assento, e será passado ao Livro dos Confrades, para que, nem elle, nem sua mulher gozem dos sufragios de Irmãos, pois com os tres annos, que devem de sua prezidencia, lhe fica compensado o que der de sua entrada, isto se entenderá com aquelles Irmãos, ou Irmans, que actualmente trabalham, e por remissos não querem pagar; e os falecidos, que não estiverem correntes com as prezidencias, e não tiverem cauza para isso, se lhes descontará nos seus sufragios.

 

Cap.º 2º

Da obrigação de que deve usar esta Irmandade com os seus Irmãos, e Irmans.

Constando à Mẽza que algum Irmão, ou Irmã, por idade decrepita, ou por moléstia tal que o priva de trabalhar, recorrer á Mẽza, e esta depois de se informar, e vir no inteiro conhecimento da verdade, e ter sempre satisfeito os seus Annoaes, o admitirá por Pobre, e o socorrerá com as Esmolas de cada anno como for possível; o mesmo se entenderá com as Irmans verificada que seja a sua pobreza.

Estando doente algum Irmão ou Irmã, o Presidente destricto logo avizará o Irmão Enfermeiro para o ir vizitar, e informar-se da sua necessidade; quando haja e tendo contribuído sempre com os seus Annoaes, o mesmo / [p.3] mesmo Enfermeiro lhe dará sem demora a esmola determinada no Cap.º 14º; achando-se porem que elle he devedor de alguns annos, participará essa falência à Mẽza para nella se resolver o que for mais justo; o mesmo se observará com os Irmans.

E falecendo algum Irmão, ou Irmã, pelo bilhete do Presidente, e Patente do falecido se fará sciente ao Secretário para este mandar o Procurador da Mẽza que avize a mesma Irmandade para o acampanhar; e enviar-lhe logo duas vélas para alumiar a Imagem que tiver à cabeceira, tão suficientes que durem todo o tempo q(ue) o corpo estiver sobre terra, a bem de hum Tapete, e Travesseiro, e Caldeirinha de Agoa Benta; e no dia, em que se houver de sepultar, lhe mandaram quatro velas com seus castiçais para alumiar em caza o ditto corpo.

Se qualquer dos ditos Irmãos, ou Irmans falecidos forem pobres, em mostrando certidão do Parrocho da sua freguesia, em que lhe despensa de lhe levar os direitos Parrochiaes, e o sepulta por pobre, será a mesma Irmandade obrigada a dar-lhe hum Habito.

 

Cap.º 3º

Dos sufrágios que esta Irmandade deve fazer pelas almas dos nossos Irmaos defuntos.

Quanto que o Secretario tiver a noticia que faleceu / faleceu algum Irmão ou sua mulher, e estiver abilitada, constando que não deve couza alguma, lhe mandará logo dizer sessenta e quatro Missas de esmola de cem réis, e no Outavario de todos os Santos mandará dizer sessenta e quatro Missas também da mesma esmola pelas Almas dos nossos Irmãos, e Irmans defuntas, e como antigamente se observava; também acompanhará a Irmandade á sepultura todas aquellas pessoas, que estiverem debaixo do domicilio, e amparo do ditto Irmão, como antigamente se fazia, com tanto que se não fará mais despeza, se não só com o acompanhamento.

 

Cap.º 4º

Da observancia que se deve praticar com os Officiaes de Carpinteiro de machado, que trabalharem na Fábrica da Ribeira das Náos.

Todos os sobreditos Officiaes seram obrigados a serem Irmãos, e attendendose a que sempre tem havido muitos destes remissos na mesma obrigação, e por issos se tem abilitado por confrades com as obrigaçõens que se lhe declaram: Ordenamos que todos os dittos Confrades tenhão obrigação de pagar, como antigamente faziam, em cada huma semana que na mesma Fabrica trabalharem, sendo mais de tres dias de trabalho, des réis em cada huma das semanas para a ditta Irmandade; e tanto que vencerem o primeiro jornal de Official seram obrigados /obrigados a dar mais cem réis para a mesma Irmandade por huma ves somente; e ganhando o jornal Duzentos réis, pagaram Duzentos réis para a mesma Irmandade; e da hy por diante ficaram pagando os Déz réis em cada semana que trabalharem na ditta Fabrica, tendo cada huma mais de tres dias de trabalho; e ganhando o jornal de Duzentos e quarenta réis, pagaram Duzentos e quarenta réis para a ditta Irmandade por huma ves somente; como antigamente se observava.

Todos os referidos Officiais de Carpinteiro, que embarcarem nas Náos, Fragatas, e mais Navios de sua Mag.de, ou estes sejão Irmãos, ou Confrades, seram tambem obrigados a dar cada hum, por cada ves, que forem providos para viagem do Brazil, e Armadas, duzentos réis, e sendo Quatro centos réis, como antigamente se observava nesta ditta Irmandade.

 

Cap.º 5º

Do modo da cobrança, que se hade fazer aos Irmãos Confrades, que forem remissos nos pagamentos dos Dés réis em cada semana, e mais propinas declaradas no Cap. 4.º

O Procurador da Mẽza será o Fiscal desta cobrança, o qual terá autoridade bastante para as execuções deste Capitulo para o que dará o juramento dos Santos Evangelhos, perante aquelle Ministro, ou Juis, que Sua Mag.de for servida nomear para esta mesma execuçam, de bem cumprir com a sua obrigação, sem attenção, ou respeito, ou affeição alguma.

Assim que a este constar que algum dos dittos Confrades duvidam pagar os faram noticiar para que no dia, e hora que se assinarem se achem indispensavelmente prezentes na Mẽza, e quando não venham, e se conheça que esta falta não procedeu por cauza justa, e urgente, o que impossibilitasse á sua vinda, recorreram ao Juis competente, para os mandar notificar para que paguem no termo de vinte e quatro horas, ao que faltando, se procederá contra elles summaria, e executivamente a rigoroza pinhora; e como entre os mesmos Irmãos Confrades podem haver alguns tão remissos, ou mal intencionados que dezattendam ao ditto Procurador, que estiver encarregado da sobredita cobrança, para que por nenhum principio fique impunida semelhante dezattenção, e a falta de castigo sirva de exemplo aos mais para o futuro; fazendose tão injusto procedimento se dará parte ao Juis nomeado para estas execuçõens para lhes impor as penas correspondentes ao merecimento de suas culpas, ou resistencias.

Declaramos que os ditos Confrades gozaram sempre da liberdade de poderem ser admittidos por Irmãos, sendo capazes, e pagando o que devem de Confrades, e de suas Entradas costumadas, para que a Mẽza em consequência disto os admitta como costuma fazer com os mais Irmãos.

Para cujo fim deve o Procurador da Mẽza ter hum Livro, que se lhe dará quando tomar posse do ditto Cargo, em que lance os nomes dos dittos Confrades, e a conta da Receita, e despeza, que com elles fizer; também deve ter vigilante cuidado na arrecadação das propinas declaradas no Cap.º 4.º explicando com clareza os pagamentos que cada anno fizer de sorte que por seu descuido não falte algum.

No fim de todos os pagamentos será obrigado a dar conta da cobrança que fes, e dos remissos, que não quizerão pagar, na primeira Mẽza que houver, para nella se consulte o que se deve seguir com os mesmos remissos; metendo-se no cofre o recebido, e ficará também em consulta, a mais votos da Mẽza, a execução de que deve esta usar com os ditos Confrades; e se os Officiais da mesma Mẽza não mandarem, por descuido, ou omissão, executar as referidas cobranças, ou não exercitar o Acto de caridade com aquelles que amerecerem, ficaram responsaveis a falta que houverem comettido.

Em recompensa desta obrigação que fica imposta aos dittos/ aos dittos Irmãos Confrades; gosavam estes de todos os beneficios; e sufragios como bemfeitores, estava a mesma Irmandade de obrigação de os acompanhar á sepultura em actos de Irmandade, e do mesmo modo a suas molheres, sendo cazados, com as mesmas honras praticadas com os nossos Irmãos, pelo que tanto que tiver o Procurador noticia que faleceo algum dos sobreditos Confrades, ou sua mulher, achando-se este corrente com seus pagamentos, lhe mandará dar duas vellas, para ser alumiada a Imagem que o defunto tiver á cabeceira, tão suficientes que suprão todo o tempo que o corpo estiver sobre terra, e hum tapete, e travesseiro para estar o Corpo, e Caldeirinha de agoa benta.

No dia em que o Corpo se houver de sepultar se lhe mandaram quatro vellas com seus castiçaes para alumiar o corpo, como se pratica com os Irmãos, e constando por certidão do Parrocho, q(eu) lho não leva os direitos Parrochiaes, e o enterra por pobre; lhe dará a Irmandade um Habito; sendo obrigada a mesma Irmandade a acompanhar-lhe os filhos sem capas á sepultura athé á idade de doze annos; isto se entende com aquellos, que actualmente trabalham na mesma Fabrica, e não para aquelles que trabalham em obras particulares porque estes não pagam a ditta penção.

Também será a Irmandade obrigada a mandar dizer pelo Outavario de todos os Santos quarenta Missas de esmola de cem réis pelas Almas dos nossos Irmãos Confrades, e todos os Domingos, e dias Santos mandará dizer huma Missa na nosssa Capella aplicada pelos bemfeitores.

E no cazo que entre algum Official para a mesma Fabrica de novo, que nunca nella tinha preservado, para gozar dos mesmos predicados, e beneficios asima declarados, pagará as mesmas propinas como os que de novo vem principiam na ditta Fabrica; e aquelles que della se auzentarem por tempo de tres annos, em taes circunstancias, pagaram seiscentos réis; excedendo a mais de quatro anos pagaram Outocentos réis quando forem admitidos à mesma Fabrica.

 

Cap.º 6º

Das obrigaçoens dos Irmãos e Confrades, que embarcam nos Navios mercantes.

Todos os Irmãos, e Confrades, que embarcarem nos Navios mercantes, seram obrigados a darem por cada viagem Quatro mil e outo centos réis como antigamente faziam, para a Irmandade os recolher em hum Cofre, para no cazo que algum deles for captivo, a Irmandade, assim que o souber, o mandar resgatar a todo o custo dentro no tempo de três anos como antigamente se observava; e seo ditto/ ditto Irmão, ou Confrade cazado, a Irmandade, será obrigada a dar a sua mulher quatro mil e outo centos réis cada mes athe todo o tempo que seo marido estiver captivo, e se for viuvo, e tiver filhos menores, que estejam debaixo de seo amparo, se lhe dará a mesma penção.

A Irmandade poderá por a juros o cabedal, que cobrar dos Irmãos, e Confrades, que embarcam nos Navios mercantes, com tanto que seja com toda a segurança sobre pinhores de Ouro, ou de Prata, ou Fazendas, ou Cazas dando fiador á falência dellas, para que fique sempre seguro o dinheiro do Cofre; e quando se der dinheiro a juro, o Secretario o lancará em hum Livro que haverá na Secretaria chamado Livro de Trato, e Destrato dos Captivos, e se assinará, e fará hum Termo no Livro dos Acordãos, para constar que se deo por authoridade da Mẽza a qual se assinará; e se alguma Mẽza por dolo o der sem as seguranças assima declaradas, será a Mẽza, que de novo entrar obrigada a fazer lhe pagar a sua importancia, e não o fazendo, e assinando-lhe as contas, outra qualquer poderá fazer pagallo á que estiver servindo, tendo-lhe assinado as Contas, ainda que ella o não desse.

Os Juros, que render o ditto Cabedal dos Irmãos/ Irmãos, e confrades que embarcarem nos navios mercantes se dividirá em duas partes iguaes, para a Irmandade huma, pela Administração de beneficiar o seu Cabedal, para se refazer da sua fabrica, que perdeo no Incendio do Terramoto do 1.º Novembro de 1755, e também para ajuda da festa do Gloriozo São Roque.

E a outra metade será para o cofre dos Pobres para socorrer os Irmãos necessitados, e também aos confrades, que tiverem pago a ditta penção dos Quatro mil, e outo centos; com tanto que as esmolas seram mais avultadas aos que tiverem pago a ditta pensão; e todos os annos será a Irmandade obrigada a dar hum dote de quarenta mil réis deste dinheiro as Orfans, filhas destes, que tem pago a pensão, ou sejam Irmãos, ou Confrades, constando da sua pobreza; e no anno que não houver filhas destes, que tem pago a ditta pensão, se dará o ditto dote as dos Irmãos, que tiverem servido em Mẽza, concorrendo nella todos os predicados; e não havendo destes filhas, se admitiram á sorte as dos mais Irmãos sendo pobre, e de bom procedimento, cujo dote se dará por tempo de espera de seis anos, e será obrigada a reformas e seu Provimento todos os annos, e não cazando no tempo dos seis annos o perderá; e também não poderam ser admittidas á sorte sem ter de doze annos para sima. / Santa que algum Irmão, ou Confrade naufragar, ou for prezioneiro, que Deos tal não permitta, sendo dos que tem pago a ditta pensão, escapando do naufrágio, a Irmandade será obrigada a dar-lhe huma esmola avultada conforme seo merecimento para ajuda de se vestir, e morrendo no naufrágio, que Deos tal não permita, se dará a ditta pensão, escapando do naufrágio, a Irmandade será obrigada a dar-lhe huma esmola avultado conforme o seu merecimento para ajuda do vestir, e morrendo no naufrágio, que Deos tal não permita, se dará a ditta esmola a sua mulher sendo cazado, e sendo Viuvo se dará a seus filhos sendo menores; o mesmo se observará com os prezioneiros.

 

Cap.º 7º

Dos Officiaes de que se deve formar a Mza do Gloriozo São Roque

A Mẽza da Irmandade constará de doze Irmãos Mezarios a saber: o Juis, hum Assistente, Primeiro e Segundo Secretario, hum Thesoureiro, hum Procurador da Mẽza, hum Procurador da Irmandade, hum Enfermeiro e quatro Mordomos da Capella.

 

Cap.º 8º

Da qualidade, e obrigação do Juis.

O Juis como cabeça principal da Mẽza da Irman-/ Irmandade deve ser Pessoa das mais distintas da mesma Irmandade, e da verdadeira inteireza; terá particular cuidado no serviço do Gloriozo S. Roque, e nos sufragios das Almas dos Irmãos; procurará com efficas empenho o augmento, e explendor desta Irmandade, e na execução deste Compromisso; sera avizado para assistir às Mẽzas; sera muito frequente na assistência de todas as funçoens, festividades, e prociçoens acompanhando a todas, para que com o seu exemplo sirva de afervorar aos mais Irmãos nesta assistencia tanto do agrado de Deos, e do bem espiritual, e utilidade dos fieis; procurará evitar qualquer dezordem, e mandará convocar a Mẽza todas as vezes que for precizo, alem das que se fizerem ordinariamente; e como delle depende toda a boa armonia; he precizo valerse de toda a vigilancia, e cuidado; Terá huma Chave do Cofre, para que este se não abra fora da sua prezença; e nos Actos de prociçoens, e acompanhamento levará huma vara no fim da Irmandade, e pagará de sua Joia Quatro mil e outo centos réis em cada huma anno.

 

Cap.º 9º

Da qualidade, e obrigação do Assistente do Juis.

O Irmão assitente do Juis será pessoa da mesma condição, para supprir em tudo o seo imp./ impedimento; e fará dar execução ao que se apresenta no Lugar de Juis; e na falta de ambos assistirá o Irmão Primeiro Secretário; o qual servirá em tudo nos impedimentos dos dous, e o lugar deste fara o Irmão Segundo Secretario; e nas prociçoens, e acompanhamentos irá à direita do Juiz o Irmão Assistente no fim da Mẽza, e pagará de sua Joia Dous mil e quatrocentos reis em cada hum anno.

 

Cap.º 10º

Da qualidade e obrigação do Irmão Secretario

Os dous Irmãos Secretarios seram pessoas que tenham os mesmos predicados do Irmão Assistente, e teram muito cuidado nos Negocios da Irmandade, dos Livros; Escrituras, e mais papeis para o expediente do que for preciso, escrevam todos os Termos, Despachos, e Avizos, e faram todas as Cartas, e conhecimentos para as cobranças, e arrecadações dos dinheiros da ditta Irmandade; guardando todos os Livros, e papeis na Caza de Despacho debaixo de sua chave; Lançaram em Despeza no Livro todas as que se fizerem; e todo este expediente se entende com o Primeiro, e na falta, ou impedimento deste o Segundo Secretario. Terá obrigação de assitir todas as vezes que se tirar, ou recolher dinheiro no Cofre, para assim fazer carga, ou descarga/ descarga ao Irmão Thezoureiro; e logo que tomar posse do seo lugar o Primeiro Secretario, terá (…) de rever os Livros da Secretaria, para se inteirar se ha nelles cobrança que fazer, e recomendar, e fazer com que se cobre com deligencia, e cuidado; e nas prociçoens levará huma vara adiante do Andor; e pagaram de suas Joias Mil e seiscentos réis cada hum em cada hum anno.

 

Cap.º 11º

Da qualidade, e obrigação do Irmão Thezoureiro.

O Irmão Thezoureiro será pessoa abonada e inteligente de contas, e de muita verdade, para zelar, como deve das Rendas, e Bens da Irmandade; procurará que não haja falta no que for necessário em beneficio, e augmento della: será obrigado a dar conta no fim de cada anno de toda a Receita, e Despeza da Irmandade; as Despezas se lhe levaram abonadas em Conta pelos Róis assinados, recibos, e quitaçoens; do mesmo modo de tudo o que receber se lhe fará Receita no Livro della; e o Secretario assinará com o mesmo Thezoureiro; e não consentirá que as despezas sejam superfluas, porque havendo-as não pode a Irmandade ter augmento, antes nisso grave prejuizo; e sem Ordem da Mẽza não fará despezas de maior consideração que prejudique a ditta/ a ditta Irmandade; e terá huma chave do Cofre para que se não abra sem a sua assistência: nas prociçoens e acompanhamentos levará a Cruz, e pagará de Sua Joia Mil seis centos réis em cada hum anno.

 

Cap.º 12º

Da qualidade, e obrigação do Irmão Procurador da Mza

O Irmão Procurador da Mẽza será pessoa de muita capacidade, zello e vigilancia, e muito cuidadoso em todos os Negocios da Irmandade, para que se não percam por demora, ou omição; de nenhum modo consentirá que se intentem pleitos injustos, e fará todo o possível para que se evite nas festividades toda despeza superflua; nos Ornamentos, e pessas dellas teram muito cuidado em tudo ande bem guardado, e com aceio, e decencia.

Fará convocar Mẽza todas as vezes que for preciza, e nella dará conta dos Negocios que lhe respeitam, e de tudo o mais que se houver de averiguar em semelhante acto; poderá fazer todas as cobranças de Juros, Legados, Foros, e Esmolas, e de todas as quaisquer rendas, que de alguma sorte pertencerem á arrecadação desta Irmandade, dando logo conta ao Secretario, e Thezoureiro, para lancar em Receita com a necessária clareza tudo, que se deve recolher ao Cofre; E aos Mordomos da Ca-/ da Capella dará a Cera preciza, e por sua conta corre também receber a do Cerieiro, e assistir á Cera velha quando for pezada, e se lhe for entregue; e deve do mesmo modo fazer todos os pagamentos, e despezas da ditta Irmandade, recebendo para isso da mão do Thezoureiro todo o dinheiro, que lhe for necessário para as ditas despezas, dando Conta por seos Róis em Mẽza, para lhe serem abonadas.

Tambem corre por sua conta fazer lançar no Inventario da Irmandade toda a fabrica, e pessas que houver, declarando-se nas margens o que se diminuir; fazendo entrega aos seos sucessores por hum Termo feito pelo Secretario: Terá cuidado que os Presidentes façam a obrigação de procurar sendo possivel aos quarteis a cobrança do que os Irmãos estiverem devendo á Irmandade, porque deste modo se evita o vexame dos Irmãos, e outros inconvenientes.

Logo que for dada a noticia do falecimento de algum Irmão, fará com que se lhe mandem dizer as Missas de corpo prezente podendo ser; e terá hua chave do Cofre para que se não abra, sem sua assistencia, ou de quem substituir o seo lugar: Nas prociçoens, e acompanhamentos, levará huma vara adiante da cruz da Irmandade; e pagará de Sua Joia Outo centos réis em cada hum anno. Cap./

 

Cap.º 13º

Da qualidade, e obrigação do Irmão Procurador da Irmandade

O Irmão Procurador da Irmandade terá os mesmos predicados do Irmão Procurador da Mẽza; e nestas fará observar as Determinaçoens deste Compromisso, não consentindo qua a Mẽza obre couza alguma contra elle em couza, que prejudique a Irmandade, e havendo precizão pode convocar a Mẽza; e assistirá a todos os Actos da Irmandade, e de

tudo o que nella succeder dará parte ao Irmão Juis, para os insinuar do que for precizo, e terá cuidado de fazer cumprir as obrigaçoens das Capellas havendoas: Na Eleição assistirá com todo o cuidado, para que se faça tudo, como for mais conveniente á Irmandade por se evitar dezordens; e terá também as capas, e Ornamento da Irmandade, cuidando muito em que se conservem com aceio: Nas prociçoens, e acompanhamentos levará huma Vara no meio da Irmandade, diligenciando muito que os Irmãos sigam a boa Ordem; e pagará de sua Joya Outocentos réis em cada hum anno. Capº./

 

Cap.º 14

Da qualidade, e obrigação do Irmão Enfermeiro

O Irmão Enfermeiro deve ser pessoa de muita caridade, e de maior cuidado, e particular recomendação pelo serviço, que se faz a Deos, e ao próximo, e mesmo Sor. lhe recompensará quanto obrar nesta tão estimavel virtude da Caridade, pelo que vizitará os nossos Irmãos Enfermos, e logo que tiver a noticia que algum se acha molesto, procurará que receba os sacramentos em tempo conveniente antes que fique privado dos Sentidos.

Fará a maior deligencia para que lhe assistam Sacerdotes, quando estiverem moribundos; e vendo que he pobre, lhe dará a esmola de Mil e duzentos réis pela primeira vês; mas se a necessidade for maior, dará parte ao Irmão Juiz, ou na falta deste ao Assistente, para que assim noticiado o mande socorrer com o que julgar mais conveniente, e possível, em quanto não houver Mẽza, na qual fará prezente o referido. Falecendo qualquer Irmão, que não tiver quem lhe administre o Enterro, o Irmão Enfermeiro o fará, como também se encarregará de qualquer informação de que a Mẽza necessitar; e dará de sua Joia Outocentos réis em cada hum anno. Cap.º/

 

Cap.º 15

Da qualidade, e obrigação dos Irmãos Mordomos

Os Irmãos Mordomos teram obrigação de cuidar nos Ornamentos da Capella, e em todo o mais aceio, e decencia, como he devido ao Gloriozo São Roque: Por sua conta corre a destribuição das Tochas aos Irmãos da Irmandade, advertindo que nos Actos das prociçoens, ou de outra qualquer função, se devem portar com modestia, e seriedade devida; e finalizada a acção das festas, se entregaram as Tochas, ou Vellas aos Irmãos Mordomos para ficarem na arrecadação: Nas prociçoens, e acompanhamentos levaram os Ceriaes ao pé da Cruz; e pagaram de suas Joias outo centos réis cada hum em cada anno.

 

Cap.º 16

Da qualidade, e obrigação dos Irmãos Definidores

Os Irmãos Definidores seram pessoas de boa capacidade, e recta intenção, e que tenham cabal noticia dos negocios; e particulares da Irman-/Irmandade; devem ter primeiramente servido em Mẽza, para que votem com mais acerto; nos Negocios de maior consideração, seram obrigados a virem á Mêza todas as vezes que forem chamados por ella, em cuja Prezença consultaram, e votaram distintamente todos com a sobredita Mẽza; e conhecendo-se que a Mẽza sobre o ditto Cazo tem algum dolo, de pois della propor o ditto Cazo, ficará o Juis, e os mais Irmãos se retiraram para outra Caza, e depois de tomados os votos dos Definidores, o Juis tornará a chamar a Mẽza, e lhe proporá o que ficou decidido, e mandará lavrar o Termo no Livro dos Acordãos, a onde se assinaram os Definidores, e depois a Mẽza.

 

Cap. 17º

Da qualidade, e obrigação dos Irmãos Prezidentes

Os Irmãos Prezidentes serão pessoas de boa inteireza, e verdade, e inteligentes, e teram obrigação de cobrar dos Irmãos da Irmandade tudo o que elles deverem a esta, cuja cobrança será feita aos quarteis para melhor facilidade dos pagamentos; e na primeira Mẽza, que houver, depois de cobrado na mesma Mẽza, e dos que sam remissos em pagarem; e entregaram ao Irmão Thezoureiro a imp./ a importancia, que houverem cobrado na presença do Secretario para lhe ser carregada em Receita; e no mesmo Livro da Prezidencia se lhe passará recibo do que entregáram: quando qualquer Irmão repugne o pagamento; o Prezidente dará parte á Mẽza, para esta ordenar o que melhor lhe parecer; e a eleição dos Presidentes hade ser feita pela Mẽza nova no mesmo dia, em que tomar posse.

 

Cap.º 18º

Da fórma, e o tempo da Eleição

No ultimo Domingo do mes de Julho se convocará a Irmandade por Avizos pelo Procurador da Mẽza, e Prezidentes, pondo-se hum Bofete na nossa Ermida, para nella estarem os Mezarios; e em huma folha de papel estarem escritos outo Nomes de Irmãos de cada Prezidencia, dos mais capazes, que tenham servido Mẽza, e destes se tomaram votos em todos os dezasseis, dos quaes se tiraram outo para virem eleger a Mẽza nova, dos que mais votos tiverem; estes ficaram servindo de definidores com a Mẽza nova; e ao Secretario lhes escreverá Cartas, em que lhes determinem o dia para virem fazer a Mẽza nova. Ajun./Ajuntando-se a Mẽza se faram outo Pautas, nas quaes se nomearam para cada hum dos lugares Mẽza três Irmãos; e feitas as ditas Pautas se chamaram os Eleitos, e estaram destinadas sortes, nomeando em cada huma a ocupação dos Irmãos, que alli se acham reservando o Juis, ou Assistente, que o seo lugar fizer, e o Secretario, e se chamaram os Eleitos para a Caza do Despacho, e tirarando cada hum huma sorte, e com o Companheiro, que na mesma sorte lhe sahir, será entregue huma Pauta; o mesmo se praticará com os mais, que sahirem nas mesmas sortes, e indo para as Cazas interiores, ou Sacristia de dous em dous começaram a votar, declarando que em cada hum dos lugares não poderam votar mais que em hum só Nome cada hum dos Companheiros; e na Mẽza ficará a outra, que fará a conta das outo, para votar o Juis, Secretario, e mais Officiaes, que não sahirem por sorte, e ficarem na Mẽza; e apuradas todas as Pautas, os Irmãos, que nellas votarem, as assinaram, e entregaram ao Secretario.

O Juis, e o Procurador, passados os votos á Pauta, e apurada esta, se fará publico os Irmãos, que sahiram eleitos por mais votos, e o Procurador da Mēza queimará logo as Pautas, em que votaram os eleitos, e os Secretario lhe escreverá cartas a cada hum deles, declarando-lhe o Lugar, em que sahiram vencidos, e que por serviço de Deos, e do Gloriozo São Roque aceite o emp./ o emprego em que está eleito, e no primeiro Domingo que se seguir depois da Eleição, viram fazer aceitação dos seus Lugares, e no primeiro Domingo depois da nossa festa, se ajuntará o Secretário, e o Thezoureiro, e Procurador para ajustarem as Contas, e escreverem-se Cartas á Mẽza nova, para que no ultimo Domingo de Setembro venham tomar posse dos seus empregos, e no ditto Domingo se porá a Mẽza que acaba á esquerda, e a Nova á parte direita e mostrando lhe todas as Contas, e Inventário se fará o Termo de posse; o mesmo se praticará na Eleição, que também se fará por hum Termo e o Termo da posse assinará a Mẽza que entra, e a que acaba; e concluída a assinatura, a Mẽza que acaba se despedirá, e a nova a acompanhará athe a porta da Caza de Despacho.

 

Cap.º 19º

Das determinaçoens geraes, que a Mẽza deve infalivelmente observar.

Como a Mẽza he Administradora de tudo o que pertence a esta Irmandade, devem os Irmãos Mezários, não só em comum, mas cada hum em particular empenhar-se na conservação, e aumento da mesma Irmand.e adver./ advertindo nos encargos de consciencia que tiram, pelos prejuizos, que resultarem á mesma Irmandade, e q. todo o bom serviço que aceitarem seja em honra e gloria de Deos, e do Gloriozo São Roque.

Haverá na Caza de Despacho hum cofre com tres chaves differentes que se repartiram, huma dellas pertencerá ao Irmão Juis, outra ao Thezoureiro, e outra ao Procurador da Mẽza, em cujo cofre não só se guardará o dinheiro, mas também as escrituras, titulos, pessas de Ouro, e Prata, e papeis de importancia: Este mesmo Cofre não se poderá abrir fora da prezença do Secretario, para que este faça carga, ou descarga, do dinheiro, que nelle se receber, ou tirar, ao ditto Thezoureiro; também se recolherá no mesmo cofre o dinheiro pertencente aos Irmãos Captivos em lugar separado, e o dinheiro pertencente aos Irmãos Pobres, de que se fará carga ao ditto Thezoureiro da mesma Irmandade, para que haveram varios Livros, em que se lance a Receita, e Despeza, e mais clarezas necessarias, cujos Livros sam os seguintes.

Haveram dous Livros, hum, que sirva de receita do dinheiro pertencente aos Irmãos Captivos, e outro para se lançar o dinheiro que se der a Juros em que, se assinará a Mẽza, q(ue) o der.  Hav./Haveram noutros dous Livros, que serviram de Receita e Despeza do dinheiro pertencente aos nossos Irmãos Pobres, cuja Despeza será feita pelo Irmão Enfermeiro, e este junto com o Secretário assinará.

Haveram outros dous Livros, que sirvam de Receita e Despeza da Irmandade, cuja despeza será feita pelo Irmão Procurador da Mẽza, e junto este com o Irmão Secretario assinará.

Haverá hum Livro de Assentos, em que o Secretario lançará os Termos das Entradas dos Irmãos, em que elle, e o secretário assinaram, e declarando se sam solteiros, e se cazados os Nomes de suas mulheres, e as mesmas clarezas se fazem nas Patentes, nas quaes se lhe declaram os sufrágios, q(ue) costumam fazer-se por esta Irmandade.

Haverá hum Livro de Inventário, no qual se carregaram todas as pessas da Irmandade, de Ouro, ou Prata, e bens moveis, e Imagens, e todos os adornos; não haverá couza alguma na ditta Irmandade que não se ache no ditto Livro do Inventário, para se evitar todo o descaminho, e prejuízo da Irmandade.

Haverá hum Livro de Eleições, em que se/ se lancaram todos os Irmaons que servem em Mẽza, declarando o anno em que servem, e se tem satisfeito as suas Joias.

Haverá hum Livro de entrada, e Sahia do Cofre, em que se fará assento do dinheiro, que para elle entra, e sahe, aonde assinará o Thezoureiro junto com o Secretário.

Haverá hum Livro, em que se passem os recibos das porçoens grandes, que se despenderem.

Haverá hum Livro, em que se lancem os Provimentos das Dotadas, em que assinará a Mẽza que o der.

Haverá hum Livro, em que se lancem as Missas dos Irmãos defuntos, que, podendo ser, se diram de corpo prezente, as quaes seram sessenta e quatro, e o mesmo será por sua mulher estando habilitada; e se falecerem devendo á Irmandade Joias, ou Annuais se lhe descontaram nos seos sufragios; e se lhes continuará as Missas do acrecimo do desconto; e para se lhe fazer o ditto desconto, se attenderá ao serviço, que o ditto Irmão houver feito á Irmandade, ou aos anos que na Mẽza tiver servido, e Joyas, que nella tiver dispendido; porque não fazendo a Mẽza esta concideração sera faltar ao que devem em suas/suas conciencias, e á caridade do proximo, que he tanto do agrado de Deos.

Nos Livros das Prezidencias andaram os Nomes de todos os Irmãos, cada hum em o distrito de sua assistencia; declarando as folhas em que se acha o seu Termo no Livro dos Assentos, e qualquer dos Irmãos Prezidentes será cuidado de avizar a qualquer dos Irmãos de sua Prezidencia que se mudarem e o declararem no mesmo Livro; e sendo para fora de sua Prezidencia dará parte à Meza para logo se lançar em o Livro onde pertencer; e com esta Providencia se evitaram confuzoens.

Qualquer Irmão da Mẽza poderá requerer a mesma Mẽza, havendo necessidade, dizendo ao Procurador da Mẽza, ou na sua falta ao da Irmandade, que participe ao Juis, ou na sua falta ao Assistente, para que com o seu voto a possa convocar, e junta a Mẽza na Caza de Despacho, se proporá o negocio para que se convocou, e se principiaram a tomar os votos pelos Mordomos; depois destes se irá seguindo o Enfermeiro, Procurador da Mẽza, Procurador da Irmandade, segundo Secretario, e Primeiro, o Assistente, e o Juis será o ultimo voto: no cazo em que se achem este mesmos votos empatados, o Juis dezempatará; advertindo que a maior quantidade de votos seram os que se/ se devem observar, e sendo couza de maior consideração se fará Termo do que for votado em o Livro dos Acordãos, no qual assinará toda a Mẽza.

No cazo que pela variedade dos tempos se faça preciso para aumento da mesma Irmandade diminuir, ou acrescentar algum Capitulo deste Compromisso, o não poderam fazer sem ser por huma Definição de Junta-grande, o qual, depois de tomados os votos, e definido o ditto Cazo, se lavrará o Termo no Livro dos Acordãos, no qual se assinaram os Definidores, e depois a Mẽza.

 

Cap.20º

Das festividades, que a Irmandade deve fazer.

No primeiro Domingo depois do dia do Gloriozo São Roque se fará a nossa festa; advertindo que se o dia do Santo cahir ao Domingo, nesse mesmo se fará com toda a Reverencia, e perfeição, e para cujo gasto seram applicadas todas as Joias da Mẽza, e as Rendas dos juros, que pertencem á Irmandade.

 

Cap.21º

Dos Lugares, que devem ter os Irmãos da Meza na Caza do Despacho.

O Juis terá o seu assento na Cabeceira da Mẽza como Pessoa principal, a quem se deve ter todo o respeito; á sua mão direita estará o Assistente; depois deste se seguirá o Thezoureiro; junto a este o Enfermeiro; e da parte esquerda será logo junto o Primeiro Secretario; depois deste o Segundo; depois se seguirá o Procurador da Irmandade; depois o Procurador da Mẽza, e da hy para baixo se seguiram os Mordomos de huma, e outra parte.

Em qualquer acto de Procição, ou Acompanhamento, levará o Procurador da Mẽza huma vara adiante da Cruz, e esta a levará o Thezoureiro, e os Mordomos, que servirem naquele mês levaram os Cereaes, e na sua falta os Prezidentes: no meio da Irmandade irá o Procurador da mesma Irmandade com huma Vara adiante do andor, fazendo com que os Irmãos vam com boa ordem, e modestia; o Secretario levará outra/outra vara atras do Andor; hirá a Meza com tochas, e atrás de toda a Irmandade hirá o Juis com outra Vara, levando o Assistente á sua mão direita, que nas suas faltas fará o seo lugar: o Andor será levado pelos Prezidentes, e Mordomos: O mesmo se praticará nos Enterros, e as Insignias seram repartidas pelo Procurador da Irmandade. E a respeito de tudo mais que fica declarado em cada hum dos Capitulos deste compromisso se adverte a todos os Irmãos a modestia, e obediencia, com que cada hum de per si se deve portar em todas as sobreditas acçoens, para que, cumpridas inteiramente estas obrigaçoens na forma determinada neste Compromisso, lucremos todos muitos frutos Espirituaes para honra, e gloria de Deos, e do Gloriozo São Roque./

No anno do Nascimento de Nosso Senhor Jezus Christo de Mil sette centos e settenta e sette, nesta nossa Caza do Despacho do Gloriozo São Roque sita no Arsenal Real da Marinha desta cidade de Lisboa, estando prezente o Juis, e mais Irmãos, que ao prezente anno serviam em Meza, e os Definidores, e mais Irmãos da Irmandade e Confrades, e Irmãos embarcadiços nos Navios mercantes, e Confrades, e na presença de todos foi lido os vinte e hum Capitulos do nosso Compromisso, e sendo de todos bem ponderado, todos uniformemente o aprovaram, e que se sujeitavam a todos os ditos Capitulos, e que se observasse como Ley para o bom governo, e aumento da Irmandade, e honra, e gloria de Deos, e do Gloriozo São Roque.

Assim mandaram a mim Secretario que este Termo lavrasse, e comigo assinaram. Mẽza 25 de Mayo de 1777.

Secretario
Julião Pereira de Sá
Trocato Joze Clavines Manoel Ant.º Bagunte
Rafael Antonio Joze Ferreira da Costa
Joze Patricio Antonio Francisco Brazim
Manoel Jorge Joaquim Lopes
Manoel Francisco Silva Lourenço Alz. da Silva
Joze Pedro da Gama Domingos Glz’ Morim
Manoel Francisco Novaes Antonio Rodrigues
Manoel Glz. dos Santos Felippe José
Jozé Francisco Bagunte Miguel Rodrigues
Joze Francisco Anjo João Glz. São Cristovão
Manoel Fr.co Bagunte Manoel Gomes Correia
Guilherme Caetano Elias Jozé de Lima
Jozé Joaquim Pinto Jozé Caetano
Manoel Ant.º Formaris Manoel Ant.º Areia
Felippe dos Santos Manoel Miz. Abremar
Custódio Franc.co Areia Vicente da Costa
Jozé Fernandes Mathias Martins
Constantino Jozé Custodio Jozé V.ª do conde
Jozé da Costa Joaquim Fran.co Alcantara
Manoel Joze Esteves de Aguiar Joze Gonçalves
Antonio Joze do Carmo Euzebbio Fr.co Marques Lx.ª e Sá

                               

                    

Officiaes da Meza:

Juis Pedro de Sousa 
Secretario Julião Pereira de Sá
Thesoureiro João da Silva Bagunte
Procurador  Francisco Rodrigues Chaves
Primeiro Mordomo António Gonçalves Bagunte
Segundo Mordomo João Lopes Alfama
Presi.te de Alfama Francisco Cardoso Guedes
Pres.te do Bairro Alto Manuel Fernandes

                          

E não se continha mais do ditto Termo de aprovação, que fica no Cartorio desta Irmandade ao qual/ ao qual me reporto: Eu Julião Pereira de Sá Secretário da mesma Irmandade o fis tresladar sobreescrivi e assignei. Julião Pereira de Sá”.


 

protocolo lugares irmaos mesaProtocolo de lugares dos Irmãos da Mesa segundo as determinações estabelecidas no Compromisso de 1777

A Capela é consagrada (provisão de 9 de Julho) pelo Patriarca D. Francisco Saldanha da Gama, segundo o documento que está no Livro de Registos de Provisões de 1760-1766, e são atribuídos os privilégios ao Altar desta Capela “para que a Missa que nelles se celebrar por qualquer Sacerdote Secular ou Regular”. A Ermida é benzida pelo Pároco do Distrito.

Na Capela, os ofícios semanais celebravam-se à hora do almoço, para que, além dos confrades, todos os oficiais da Ribeira pudessem participar.

A festa de São Roque realizava-se a 16 de Agosto, com manifestações de zelo por parte dos Irmãos que promoviam a aquisição de alfaias para uso e adorno da Capela.

No século seguinte é adquirida uma “torre volante que athe agora tem servido no dia da festa com o nosso carrilhão (…)” de sinos. (Livro Segundo das Conferências e Actas da Mesa, cota: 6761, 2/23-6-XXXVIII-2-5).

Realização do inventário de todos os bens da Capela e dependências entregues à Irmandade. 

retabulo capela sao roqueAltar da Capela de São Roque com a pintura de São Roque, da autoria de José da Costa Negreiros (1714-1759), meados do século XVIII, óleo sobre telaO Arsenal é construído e lá dentro é ereta a Capela de São Roque, que apresenta características únicas: com 9,25 metros de comprimento, 6,40 metros de largura e15,30 metros de altura. O espaço da nave é marcado pela forte verticalidade, lançada de forma a induzir a admiração no observador, auxiliada pela luz que penetra através da fenestração lateral e da configuração do teto, que se apresenta em abóbada truncada. A decoração enuncia um espírito de transição do rocaille é é realizada por João Grossi (em 1769), que também é o autor dos estuques da Casa para as Audiencias do Ouvidor da Alfandega.

A capela tem duas portas laterais, uma de acesso ao púlpito (esquerda) e outra à sacristia (direita), destaca-se o janelão gradeado, ao nível do andar nobre e com acesso à Casa de Despacho da Irmandade, cuja obra é realizada em 1861/863, por João Eloi de Mendonça, que também realiza a empreitada de abertura da serventia do coro pela sacristia e alargamento da tribuna na Casa de Despacho. 

sumario indulgenciasSumário das Indulgências atribuídas pelo Santo Padre à Confraria e à Capela de São Roque, em 1757É publicado o “Summario das graças, indulgencias, privilegios e liberdades, concedidas à Sacrosanta Igreja Lateranense pelo Santo Padre, e Santa Fé Apostólica, e comunicadas pelo reverendissimo cabido, e conegos della à Confraria, e Capella do Bemaventurado S. Roque. Erecta, e instituida na Igreja do Mosteiro de N. S. do Carmo desta cidade de Lisboa aos oficiais, irmãos, e confrades della; os quaes alcanção as indulgencias, e graças abaixo declaradas, visitando a capella da dita confraria, e que por causa da ruina do terramoto se acha estabelecida em a sua Ermida na Ribeira das Naos”.

 

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“O Doutor Antonio Fernandes Varejão, Chantre na Sé Metropolitana desta cidade, &c. Juiz Conservador Apostolico da Irmandade, e Confraria do Bemaventurado S. Roque, instituida no Mosteiro de N. Senhora do Carmo desta Cidade de Lisboa, &c. A todas as pessoas, assim Ecclesiasticas, como Seculares de qualquer qualidade, e condição que sejão, saude em Christo Jesu nosso salvador, e Redemptor: Faço saber, que por parte do Juiz, Mordomos, Officiais, Irmãos, e Confrades da dita Confraria de S. Roque, me foy apresentada huma Bulla Apostolica dos indultos, graças, e indulgencias, e privilegios, assim espirituais, como temporaes, que lhes forão communicados pelo Reverendo Cabido, e Conegos da sacrosanta Igreja Laternanense da Cidade de Roma por via de incorporação, a qual sendo por mim aceitada, vista e examinada, e por constar ser verdadeira, digna de fé, e credito: e a dita Confraria de S. Roque esta erectamente instituida, e ordenada na dita Igreja do Mosteiro de N. Sr.ª do Carmo, confere a consciencia da Bulla, e que as ditas indulgencias, graças, e faculdades serão muito proveitosas para a salvação, e saude das almas dos fieis Christãos, que della se quizerem aproveitar, e de hum tão grande thesouro como a Santa Madre Igreja concede aos Irmãos, Confrades, e Bemfeitores da Irmandade, e Confraria: mandey traduzir as ditas indulgencias, graças, e faculdades, de Latim em linguagem para se imprimirem, por melhor poderem ser entendidas, e sobpena de excommunhão mayor ipso facto incurrenda, a todas as sobrditas pessoas, cujos nomes, e alcunhas hey aqui por expressos, e declarados, que no dia que lhes esta minha, e mais verdadeira Apostolica Carta for apresentada, e à sua noticia vier a tres dias primeiros seguintes, que lhes dou, e assino por todas as tres Canonicas amoestações, termo preciso, e peremptorio, não contradigão o dito traslado, nem lhe dem outro algum contrario entendimento contra a fórma da verdade, darem-se à sua devida execução, nem vão contra o credito que se lhe deve dar, em parte, nem em todo, mas antes dem toda a ajuda, e favor para que se cumprão, e guardem, e façam cumprir, e guardem inteiramente. Aliás fazendo o contrario, que se não espera, procederey contra os contraditores, e perturbadores com aggravação das ditas censuras como for justiça. E esta mando se imprima no principio de cada Summario das ditas graças, e indulgencias, para que a todos seja notorio, para o interponho meu decreto, e authoridade Apostolica quanto com direito devo, e posso, &c. Dada em Lisboa, sob meu sinal, e sello aos dezassete dias do mez de Março. Thomé da cruz, Notario Apostolico Escrivão da dita causa, a fez escrever, e a sobscrevo. Anno de mil e quinhentos e oitenta e tres annos.

O Doutor Antonio Fernandes Varejão.                                Thomé da Cruz

Primeiramente no Altar-mór da dita Igreja ha indulgencia de quarenta annos, e tantas quarentenas, e remissão da terça parte dem todos os pecados.

Item o Imperador Constantino depois que foy limpo de lepra pelo Sagrado Bautismo, que recebeo, disse ao bemaventurado S. Silvestre: Padre, ja vedes que ordeney minha casa em Igreja, lançay nella vossa larga benção para todos os que a ella vierem. Disselhe S. Silvestre: Nosso Senhor Jesu Christo que te limpou da lepra. E te purificou com a fonte perrennal, a limpe, e purifique pela sua misericorida a todos os que a esta Igreja vierem sem peccado mortal, e pela authoridade dos bemaventurados Apostolos S. Pedro, e S. Paulo, e pela nossa, hajão remissão de todos seos peccados em qualquer tempo do anno.

Item, S. Gregorio Papa, que consagrou esta Igreja de S. João Lateranense depois da destruição que della foy feita pelos hereges, confirmou a indulgencia acima dita, concedida pelo dito Papa S. Silvestre.

Item, o Papa Inocencio disse, que erão tantas as indulgencias na dita igreja de s. João Bautista, e Evangelista Lateranense, que não podiam ser contadas, senão por Deos sómente, e que todas as ditas indulgencias elle as confirmou.

Item, o Papa Bonifacio disse, que todo o que por causa de devoção, oração, ou peregrinação fosse a Igreja, e Sé Lateranense, ficasse limpo de todo o pecado.

Item, na Igreja de S. João de Laterano esta a Capella de S. João Bautista, em que entrão mulheres, e se celebra nella pelos vivos, e pelos defuntos, e ha nella remissão dos peccados.

Item, na festa de nosso Santissimo Salvador, cuja Imagem appareceo milagrosa, e visivelmente ao povo Romano quando o Papa S. Gregorio consagrou primeiramente a dita Igreja Lateranense onde sob junto o Povo Romano, e a dita imagem do salvador, appareceo a todo o povo da cidade: O Papa Nicolao IV em memoria de tão grande apparecimento fez pôr a Imagems do ditos Santissimo Salvador na parede, e a dita Imagem se póde ora ver . Item,/

Item, a Oração devotissima abaixo escrita, na dita Igreja foy primeiramente achada esculpida, e escrita com letras talhadas em huma pedra marmore, e se concede a qualquer pessoa que devotamente a rezar em cada hum dia de joelhos, oitente mil annos de indulgencia para remissão dos pecados mortaes. E pelo dito Papa Bonifacio VIII concedeo a todos os verdadeiramente confessados, e contritos que differem a dita devotissima oração por espaço de quarenta dias continuos indulgencia plenaria de todos os seus peccados. E o Papa Benedicto XI. Confirmou a dita indulgencia concedida pelo Papa Bonifacio VIII. A qual Oração compoz Santo Agostinho, e compreende cada artigo da Paixão de nosso Senhor Jesu Christo, cujo theor se segue.

Deos que pela redempção do mundo houvesse por bem de nascer com beijo da paz, trahido, prezo, e como cordeiro innocente ao sacrificio levado, e em presença de Annás, Cifás, Pilatos, e Herodes indecentemente afrontado, de falsas testemunhas accusado, com açoutes, e opprobios vexado, e cuspido, com espinhas coroado, esbofeteado, ferido com cana, com rosto coberto, despido na Cruz, pregado com cravos, e nella levantado, entre ladrões posto, e dado a beber fel, e azedo, e com lança ferido, e chagado: Vós Senhor, por estas santissimas penas, que eu indigno vos represento, e pela vossa santissima Cruz, e morte me livray das penas do Inferno, e tende por bem levarme onde levaste o ladrão, que foy comvosco crucificado, que com o Padre, Espirito Santo viveis, e reinais para sempre dos sempres. Amen.

Item, a primeira Dominga da Quaresma ha Estação na dita Igreja de S. João de Laterano, e se ganhão indulgencia plenaria, e remissão dos peccados.

Item, na Dominga de Ramos ha da mesma maneira Estação na dita Igreja, e se ganha plenaria remissão dos peccados com muitas indulgencias, as quaes indulgencias póde quem quizer ganhar duas vezes.

Item, quinta feira da semana santa se alcança na dita Igreja indulgencia plenaria.

Item, sabbado santo há Estação na dita Igreja S. João de Laterano, e se alcança plenaria e remissão dos peccados, e outras tantas indulgencias.

Item, sabbado da Dominga de Pascoa se ganha na dita Igreja indulgencia plenaria, e remissão da terça parte dos peccados.

Item, dos seis dias do mez de Maio ate ao primeiro dia do mez de Agosto ha na dita Igreja de S. João Laterano muitas indulgencias, e se ganha plenaria remissão dos peccados, + e tira-se huma alma do Purgatorio.

Item, dia da festa de S. Bernardino da ordem dos Menores, que cahe a 20 de Mayo, o primeiro de Agosto se ganha na dita Igreja plenaria remissão dos peccados.

Item na Vigilia de Pentecostes se ganha na dita Igreja plenaria remissão de todos os peccados, e muitas outras indulgencias.

Item, no dia da festa de S. João Bautista, das primeiras vesperas ate ao Sol posto do dia seguinte, se ganha plenaria remissão dos pecados, e duas vezes indulgencia plenaria.

Item, dia da Transfiguração de nosso Senhor Jesu Christo ha Estação na dita Igreja de

S. João Laterano, e se ganhão muitas indulgencias plenarias.

Item, aos seis dias de Agosto se ganha na dita Igreja plenaria remissão dos peccados.

Item, no dia da festa da Degollação de S. João Bautista se ganha na dita Igreja indulgencia plenaria, e remissão de todos os peccados.

Item, aos nove dias do mez de Novembro na festa da Dedicação de nosso Senhor, e Santissimo Salvador, ha Estação na dita Igreja e se alcança indulgencia plenaria, e remissão dos peccados.

Item, dia da festa de S. João Apostolo, e Evangelista, se ganhão indulgencias de vinte e oito mil annos, e outras tantas quarentenas, e plenaria remissão dos peccados.

Item, na Capella de S. Lourenço, que se chama Sancta Sanctorum, está a Imagem do nosso santissimo Salvador, e Senhor Jesu Christo, a qual Capella esta na dita Igreja de S. João de Latrão, e ahi nella cada dia plenaria remissão dos peccados, e outras muitas indulgencias.

Item, na Capella de S. João Bautista, aonde se chama as Fontes, ha cada dia plenaria remissão dos peccados, na qual não entrão mulheres.

Item, na entrada da dita igreja junto da perede grande da porta santa, esta huma Capella, na qual esta a arca do Testamento velho, e a vara de Moysés, e Arão, e a Mesa, sobre a qual nosso Senhor Jesu Christo ceou com os seus Discipulos a quinta feira da semana santa, e ha muitas indulgencias, que forão achadas em algumas taboas, e livros da mesma Igreja. Item, /

Item, o Papa S. Silvestre concedeo, que todo o que celebrasse, ou fizesse celebrar huma Missa no Altar que esta junto A Sacristia, livrasse +huma alma das penas do Purgatorio.

Item, o que subir de joelhos pela escada de pedra, que Santa Elena trouxe de Jerusalem da casa de Pilatos, pela qual nosso Senhor Jesu Christo subio no tempo da paixão, a qual tem trinta degraos, se ganha indulgencias sem conto.

O Papa Honorio concedeo ao Prior, e Conegos da dita Igreja de S. João Lateranense, que em todos os Bispados, e arcebispados podessem fundar, e edificar Igrejas, Mosteiros, Hospitaes, e Oratorios, sem para isso ser necessario licença dos Bispos, ou dos seus Legatarios, que suas vezes tiverem, e isto nas suas terras, e herdades somente.

O Papa Bonifacio ampliou o privilegio, e concedeo o mesmo poder, e authoridade de edificar Mosteiros, Igrejas, Hospitaes, e Oratorios a todos os homens, e mulheres das terras, herdades, e posições, e de outros lugares pertencentes a mesa capitular dos ditos Prior, e Conegos, e que podessem outrosi erigir Priorados, Dignidades, e Beneficios, Curados e simplices Conventos, Hospitais, e outros lugares pios, sem prejuizo porém do direito das Igrejas Parochiaes, em cujo limite se fundarem, e edificarem, e que os Oratorios, Mosteiros, Hospitaes, e lugares pios, sujeitos ao Prior, e conegos, e sejão de sumurçião, defensão, authoridade, e poder, e delles só, e in solidum pertença a provisão, presentação, e disposição delles.

O Papa Inocencio concedeo as pessoas, que algum obsequio, e serviço fizerão, ou ao diante fizerem por si mesmos, ou por seus meyo, e diligencia a dita Igreja Lateranense, e aos Hospitaes, Mosteiros e Oratorios a ella sujeitos, relaxação de dez annos, e tantas quarentenas das penitencias, que lhe são dadas, e que segundo a quantidade do subsidio, e devoção alcancem misericordiosamente do Senhor, e Salvador de todo, com cujo nome principalmente foy edificada a dita Igreja Lateranense, e sinalizada, e nobrecida com o nome dos bemaventurados S. João Bautista, e Evangelista, remissão de seus peccados, e saude de suas almas, e outras indulgencias.

O Papa Bonifacio concedeo ao Reverento Cabido da dita Igreja Lateranense, que nenhum Juiz delegado, nem subdelegado, ou conformador por authoridade Apostolica, ou dos seus legados, podesse contra o dito Cabido, ou contra alguma pessoa delle, pronunciar sentença de excommunhão, ou de suspensão, nem de interdicto contra a sua Igreja, e contra as Igrejas a ella sujeitas, sem especialmente mandado da Sé Apostolica, que faça expressa menção de verbo ad verbum do dito indulto irritas, e sinaes às sentenças, que contra o theor das letras da ditta concessão, e indulto se publicasse.

Em todas as festas, e dias de nossa Senhora se alcanção na Igreja de S. João de Latrão, e nesta Capella de S. Roque, plenaria remissão dos peccados, e saude de suas almas, e outras indulgencias, visitando a dita Capella.

Assim nas festas do Natal, dia dos Reys, Pascoa da Ressurreição, dia da Ascenção, e do Espirito Santo, e em todas as mais festas, e dias de nosso Senhor Jesu Christo, se alcança visitando a Capela de S. Roque, a dita plenaria remissão dos peccados.

E na festa de S. João Bautista, e de S. João Evangelista, e nas festas do Apostolos, e dias de todos os Santos, e nas oitavas de todas, e cada huma das festas acima ditas, se alcanção na dita Capella a mesma indulgencia de plenaria remissão dos peccados.

As quaes são concedidas por diversos Indultos dos Romanos Pontifices à dita Igreja Lateranense, e Cabido, e Conegos della. E de todas as ditas indulgencias, graças, e privilegios participa, usa, e goza o Altar, e Capella da confraria do bemaventurado S. Roque por virtude da Bulla de sua communicação.

E por quanto vós [o nome do Irmão está ilegível] ficais assentado no livro desta Confraria do Bemaventurado S. Roque, participais, e gozais de todas as graças, e privilegios contheudos neste Summario”.


 

Abertura do Livro dos Assentos dos Irmãos da Confraria de S. Roque, erecta, e instituída na Igreja do Mosteiro de Nossa Senhora do Carmo desta cidade de Lisboa, e por causa da ruína do Terramoto estabelecida hoje em a sua Ermida na Ribeira das Nãos, impresso na Oficina Patriarcal de Francisco Luiz Ameno (Cota: 6727 6- XXXVIII 2-4).

Este livro é vulgarmente designado por «livro velho» e os assentos terminam a 25 de Maio de 1777. Nas margens dos assentos surgem as notas dos falecimentos dos mesmos confrades e nome das viúvas. Algumas destas mulheres são depois inscritas como Irmãs, a título de exemplo «Vitoria de Jesus de Macedo, viúva de Manuel G. ou de Bernarda Teresa Rosa, viúva de Pedro Miz. Rosa (assentos no ano de 1776)», sendo o registo formalizado em Sessão de Mesa.

 

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O primeiro Assento de Irmão refere-se a:

“Aos 28 dias do mez de Outubro de 1757 precedendo as diligencias, que ordena o nosso Compromisso, foy aceite por Irmão desta Confraria de S. Roque António de Freitas. Lx.ª por causa do terramoto, e prometeo cumprir as obrigações de nossos Estatutos principalmente a de acompanhar os nossos Irmãos defuntos; e sendo chamado por carta à Meza; não faltará no dia, e hora em que for determinado, e mayormente para algum cargo da Meza; e não tendo legitimo impedimento, se não podera escusar do cargo em que for eleito, e tendo-o, o fará pessoalmente a saber a messa. De que se fez este assento, o qual assignou com o nosso Irmão secretário.

Francisco Xavier (assi.)”



 

No mesmo ano é aberto o novo Livro dos Assentos dos Irmãos da Confraria de S. Roque, erecta, e instituída na Igreja do Mosteiro de Nossa Senhora do Carmo desta cidade de Lisboa, e por causa da ruína do Terramoto estabelecida hoje em a sua Ermida na ribeira das Náos, novamente impresso na Oficina Patriarcal de Francisco Luiz Ameno (Cota: 6728- 6- XXXVIII 2-4).

Este Livro segundo dos Assentos é realizado porque se colocam inúmeras dúvidas acerca do livro anterior, como é referido na folha de rosto deste novo livro em que se afirma que os Irmãos “apareceram a buscar as suas patentes que teve o seu princípio em 25 de Maio de 1777”. O primeiro assento é de 28 de Outubro de 1757 e o último registo de 14 de Outubro de 1919. 

 

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AnoNúmero de Irmãos admitidos
1899 1
1901 1
1902 2
1903 4
1904 1
1905 7
1906 4
1908 2
1909 2
1910 (Abril) 1
1913 3
1915 1
1917 2
1918 2
1919 6

 


O Real Arsenal é reconstruído nos terrenos onde se situava a Ribeira das Naus, sendo necessário fazer demolições para obtenção de mais espaço. Os novos planos dos edifícios da Alfândega, do Arsenal, da Ribeira das Naus e da Fábrica do Tabaco são riscados pelo arquiteto e engenheiro militar Eugénio dos Santos (1711-1760). A Irmandade pede ao rei D. José I para edificar uma capela dentro da Ribeira das Naus, o que foi autorizado em 1756 (pela Provisão de 22 de Fevereiro). O Alvará 6 de Março autoriza os Carpinteiros da Ribeira das Naus a edificar uma “barraca de madeira” para capela dedicada a São Roque, que funciona entre 1756 e 1760, quando é demolida, porque estava já construída a definitiva capela em alvenaria de “pedra e cal”.

O Convento do Carmo e a Igreja ficam danificados na sequência do terramoto e a Irmandade perde grande parte dos seus bens, tendo apenas recuperado dos escombros “a cabeça da imagem do Gloriozo S. Roque, com seu resplendor de prata, que é a que ainda se venera hoje, pois se lhe mandou fazer um corpo, e acharam dois anjos de madeira, quatro castiçais de prata Lizos, e alguma prata queimada, que pezou duas arrobas, e vinte arráteis, (…)”. Também recuperaram uma outra imagem pequena de São Roque porque esta estava na casa do Marquês de Abrantes, “porque costumavão os Fidalgos nas occaziões de doença mandarem buscar a dita Imagem, pela grande devoção, que tributavão ao mesmo Santo (…)” (FREITAS E AZEVEDO, 1781).

Reforma estatutária e publicação do novo Compromisso da devotíssima Irmandade do Bemaventurado e Glorioso S. Roque, sita no Real Convento de Nossa Senhora do Monte do Carmo.

Fr. Manoel de Sá, O.C. escreve as Memorias Historicas Da Ordem de Nossa Senhora do Carmo da Província de Portugal. Parte primeira, que entregou na Academia Real da História Portuguesa e ao Reverendissimo Fr. Gaspar Pizolante, impresso na Off. de Joseph Antonio da Sylva.

 

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“[p.105] (...) :as Casas da Portaria principal, e as escadas, que dellas sobem para o dormitorio (as quaes se reformarão, sendo Prior deste convento o Padre Fr. Henrique de Noronha, legitimo Irmão do Excellentissimo conde de Arcos D. Thomás de Noronha, cuja erudição se vê no Exemplar Politico, que ideou nas acçoens de seu oitavo avô o Serenissimo Rey d. Padro I.) Mandou acabar as cellas, que estavão por fazer no dormitorio grande, e nelle mandou fazer/ [p.106] zer a janella Conventual para o Claustro. O lanço desta parte, da parte do Capitulo, tambem se principiou neste governo, e ficou feito até a galaria. Na Igreja mandou fazer a Cappella de S. Roque. Comprou a adega, que este Convento tem no lugar de Sacavem. Mandou limpar a Caldeira do Moinho da Raposa: nas ditas obras dispendeo quatro contos quinhentos e oitenta mil e novencentos e noventa reis. (...)

[p.124]

 219    A nona, e ultima Capella desta nave he do glorioso S. Roque, que está no painel, e no meyo do Altar a sua Imagem. No frontespicio se lê: Esta Capella he de Dona Isabel de Mello, tem Missa quotidiana, para que tudo deixou sua fazenda. Ao prodigioso

S. Roque servem em copiosa, e bem governada Irmandade os Carpinteiros da Ribeira das Naos, e os mais, que exercitão este officio nos portos deste Reyno, He antiga / [p. 125] antiga neste Convento, tem Breve de communicação de todas as Indulgencias, concedidas à Bazilica de S. João de Laterano. O Compromisso de que agora usão, he confirmando pello Illustrissimo D. Jorge de Almeida, Arcebispo da Cidade de Lisboa, aos 9 do mez de Dezembro de 1581. O ornato da Capella he precioso, tem muita quantidade de prata: acompanhão com vestes brancas, e murças pretas.

220   Assim os Irmãos, que vem concertar, e desmanchar o Altar, como os que vem aos enterros, em que a Irmandade acompanha, vencem o seu sellario, que se lhe paga da Fazenda Real, como se estivessem trabalhando nas ditas occasioens. No anno de 1708. a 10. do mez de Agosto, em Mesa redonda, convocada de licença de Juiz della o Ex.mo D. Fernando de Mascarenhas, Marquez de Fronteira, do Concelho de Estado, e Guerra Védor da Fazenda Da Repartição dos Armazens, e Censor da Academia Real de Historia Portugueza, ajustarão, que cada hum dos Carpinteiros, que fizesse viagem para fóra da barra, com obrigação do seu officio, da sua soldada se lhe tirassem mil e quinhentos reis, para que depositando-se em hum Cofre commum, delle se pudesse tirar o resgate daquelle, que fosse cativo a terra de Mouros. Alcançarão Provisão de Sua Magestade pela Mesa de Consciencia e Ordens, em que lhe confirmou este louvavel, e pio assento, aos 6 de Abril de 1709. Mostrando depois a experiencia, que o subsidio de mil e quinehentos reis era muito limitado, fizerão nova Junta aos 26 do mez de Julho de 1712 e nella se assentarão, que entrasse cada hum dos que fosse para fóra com quatro mil e oitocentos reis, e recorrendo a Sua Magestade, que Deos guarde, foy servido confirmar este assento por Provisão da Mesa de Consciencia e Ordens, aos 5 do mez de Março de 1713. O Conselho / [p.126] selho da Fazenda a mandouy cumprir, e registar aos 7 do mez de Novembro de 1741. E por despecho do Provedor dos Armazens, 8 do dito mez, e anno, foy registada aos 13 do mez seguinte de Dezembro, à margem da primeira no livro decimonono do regito da Coroa, a folhas cento e trinta e duas. Os ditos quatro mil e oitocentos, com que cada hum entra, se lhe tirão da sua soldada, e o Mestre do navio, em que vay, a entrega antes de sahir do porto de que faz viagem, porque em quanto não mostra, que os tem entregues, o não despachão.

[p.150]

255  Na parede junto à porta principal, na nave do Euangelho, junto à Capella de S. Roque, esta um Mausoleo de excellente pedraria, e maravilhosa traça, metido em hum arco igual aos das Capellas. Tem no remate dois Escudos, o da direita he o que usam os Almeidas, que são tres besantes, entre huma Cruz dobre com seo coronel; o da parte esquerda he o que trazem os Castros, que descendem do primeiro Condestavel do Reyno D. Alvaro Pires de Castro, Conde de Arrayolos, que são seis arruelas em duas palas; mas não tem coronel, nem timbre. No ultimo corpo do mausoleo, que está assentado em dous leoens, se lê o seguinte:

H.J.S.

(…)

256  Do pavimento desta Igreja se sobem treze degraos, até ao taboleiro em que está a porta principal; a pedraria do portal he de exquisito feitio; as portas são de excelente madeira: estas mandou fazer o Padre Fr. Manoel de Goes, na terceira vez, que foy Prior do deste Convento. Tem ellas trinta e tres palmos de alto, e vinte e hum de largo: assim o numero do anno em que se fizerão, como as letras das primeiras palavras/

[p.151] lavras do verso decimonono do psalmo 117. São de bronze, e estão gravadas na forma seguinte:

I......5........6.......5.

257  O Illustrissimo D. Ambrosio, Bispo de Rossiona, aos 30 do mez de Agosto de 1523, sagrou esta Igreja, e o seu adro. Assim consta dos letreiros, que estão no frontespicio. Nelle da parte da mão direita quando vimos de fóra, está a Cruz da Sagração, de baixo della em caracteres Gothicos se lê: Todo o fiel Christão, que beijar esta Cruz, ganha quarenta dias de perdão. Na parte superior da dita Cruz está huma pedra embutida na mais pedraria, e tem o seguinte letreiro: Todo o fiel Christão, que beijar esta Cruz, ganha quarenta dias de perdão. Clemente VII e Pio V concederão aos fieis Christãos, que visitarem as Igrejas de Nossa Senhora do Carmo, as indulgencias das Estações de Roma dentro, e fóra dos muros, tendo a Bulla da Santa Cruzada. No mesmo fontespicio da parte da mão esquerda estão dous letreiros, hum Gothico, e outro no nosso vulgar, ambos dizem:

Na era de 1523, aos 30 do mez de Agosto foy sagrado este Mosteiro por D. Ambrosio, Bispo de Rossiona, que concedeo a todos os Visitantes desta Casa, quartenta dias de remissão dos peccados, e pela Ordem são concedidos quatrocentos annos, e oitenta e cinco quartentenas de perdão. A qual Sagração se fez pela alma de Branca Rodrigues Talheira, que deixou sua fazenda ao Mosteiro de Nossa Senhora.

[p.152]  Capitulo XII Em que se expoem hum Catalogo das Santas Reliquias, que se venerão nos Santurarios desta Igreja, e Convento

[p.158]                                               De Santos Confessores

(...) S. Roque, advogado da peste, N.R. S. Simão de Stoch Carmelita. S. Tude. S. Vicente Ferrer, R.N. (…)”.


A Irmandade obtém uma Provisão que é passada pela Mesa de Consciência e Ordens, com o objetivo de criar um fundo de mil e quinhentos réis para ser aplicado no resgate dos Irmãos que ficassem cativos na “terra de Mouros”.

O Juiz da Irmandade é D. Fernando de Mascarenhas (2.º Marquês de Fronteira), Vedor da Fazenda da Repartição dos Armazéns e Censor da Academia Real de História Portuguesa e elementos do Conselho de Estado do rei D. João V.

A Irmandade de São Roque recebe da Sacrosanta Igreja Laternanense da Cidade de Roma, uma “Bulla Apostolica dos indultos, graças, e indulgencias, e privilegios, assim espirituais, como temporaes” para a “salvação e saúde das almas dos fiéis Christãos”. O conteúdo desta Bula é traduzido para a língua portuguesa e publicado em 17 Março, sob o título de Summario das Graças, Indulgencias, Privilegios, e Liberdades. 

O Compromisso é aprovado em 9 de Dezembro, pelo Arcebispo de Lisboa, D. Jorge de Almeida. Neste documento é autorizada a existência de uma pensão destinada ao auxílio dos Irmãos pobres, doentes e suas respectivas famílias, bem como a criação de um fundo financeiro especial dirigido a pagar o resgate dos Irmãos que fossem captivos pelos “mouros”.

Os Irmãos usam vestes brancas, capas pardas e murças pretas com os seus Capelinhos e “nas mangas da Crus de acompanhar, e as Murças traziam bordadas as Armas Reas, de cuja demonstração se patenteia ser a dita Irmandade de protecção Real” (Fr. Manoel de Sá, Memorias Historicas Da Ordem de Nossa Senhora do Carmo da Província de Portugal. Parte primeira, que entregou na Academia Real da História Portuguesa e ao Reverendissimo Fr. Gaspar Pizolante, Lisboa Occidental, Off. de Joseph Antonio da Sylva, p. 125).

A capa usada pelos confrades manteve as mesmas características, pelo menos até 1911, como consta a referência descrita na “Cópia da Narração Histórica”, que foi anexa ao Auto de Diligência da Capela de São Roque, com data de 1911.

Instituição da Real Irmandade do Glorioso S. Roque dos Carpinteiros de Machado, por um grupo de Irmãos “com os seus filhos e parentes da mesma ocupação”. A sede da Irmandade passa a ser um altar que é construído junto à porta da Igreja do Convento do Carmo, onde “havião dous vãos; hum da parte direita, e outro da esquerda, em que não havião Altares, por lhe ficar junto de encontro a escada, que descia para a mesma Igreja com bastantes degráos, e seria esta a cauza, porque o grande Condestavel naquelles dous vãos não mandou edificar Altares, o que com evidencia se prova, pois se naquelle citio houvesse Capella de outra Imagem, sempre esta se havia de conservar; segundo a forma do costume, no painel do Retabulo, e como a Cappella, que havia naqulle citio, não tinha outro painel, senão o de S. Roque, nem outro Santo de vulto, hé consequência de que a dita Capela foi fabricada de novo para o dito Santo, e que não havia outra naquelle Lugar, que fosse mais antiga (…)”.

O Retábulo do Altar tem um “painel, em que servia de hua, e de outra parte pintados varios feridos de peste, lançados em cama, de baixo de barracas, e no meio, em lugar mais alto S. Roque, cujo painel, segundo a tradição de alguns Religiozos antigos foi feito por aquelle grande pintor Portuguez chamado Bento Coelho, que floreceo neste tempo e não no de 147 annos antes (…)” (FREITAS E AZEVEDO, 1781). 

Na sequência do contrato para entrega da Ermida de São Roque à Companhia de Jesus, o conjunto de oficiais de Carpinteiro de Machado abandonam esta confraria e pedem aos religiosos do Convento do Carmo autorização para construírem um altar dedicado a São Roque, o que é concedido: “passados 147 annos, depois de estarem os Religiosos na posse da dita Igreja, he provavelmente certo, que aquelles Carpinteiros Velhos, propagadores da devoção do dito Santo, e seus confrades escandelizados da Convenção, que os outros tinhão feito no anno de 1553, com os Jesuítas, sem os ouvirem, sendo membros do mesmo corpo, não esfriando na devoção, juntos com os filhos e parentes da mesma occupação, peditão aos ditos Religiosos o vão, para ali fabricarem Altar do dito Santo…” (FREITAS E AZEVEDO, 1781).

Um grupo de homens com o ofício de Carpinteiro de Machado integra a confraria de São Roque.

 

Bibliografia

GOMES, A. Sousa – Carpinteiros da Ribeira das Naus. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1931

GUIMARÃES, Maria Luísa de Oliveira - A Capela de São Roque do Arsenal da Ribeira das Naus. Lisboa: Edições culturais da Marinha, 2006

LOUREIRO, Carlos Gomes Amorim - Estaleiros Navais Portugueses. Arsenal da Marinha. Lisboa: […], 1960.

 

Fontes

Brandão, Mateus de Assunção, O.S.B. (1778?-1837) - Novena do glorioso S. Roque. Por Occasião da Epidemia Cholera-Morbus no anno de 1832. Offerecida e Celebrada pela Real Irmandade de S. Roque de Lisboa sendo seu Provedor Perpetuo El Rei Nosso Senhor, o Senhor D. Miguel I..Lisboa: Impressão Regia, 1832 (gravura de São Roque, datada de 1800) 

Novena do Glorioso S. Roque, advogado contra a peste.Offerecida e Celebrada pela Sua Real Irmandade sita na Egreja e Santa Casa da Misericórdia sendo Provedora Perpetua Sua Magestade Fidelissima. Lisboa: Typ. José Baptista Morando, 1850

Novena do glorioso S. Roque advogado contra a peste,... : seguida da oração a S. Sebastião(...) contra o terrivel flagello da cholera-morbus. Coimbra: Imp. da Universidade, 1856

S. ANNA, P. Fr. Belchior de - Chronica de Carmelitas Descalços, particular do Reyno de Portugal, e Provincia de Sam Felippe: I. [-III] tomo. Lisboa: na Officina de Henrique Valente de Oliveira, 1657-[1753]

 

Arquivo Digital, Ministério das Finanças

São Julião. http. 213.58.158.153/Arquivo-CJBC-LIS-LIS—AROOL—024/1/P24.html (acedido em 19-04-2010; 14-02-2012)

 

Biblioteca e Arquivo Central de Marinha Marinha

6727 Livro dos assentos dos Irmãos 1vol. 1757/1777  cota 6-XXXVIII-2-4

6746 Memorias Históricas da Real Irmandade de S. Roque 1781/791 cota 6-XXXVIII-2-5

6748 Documentos diversos 1783/874 cota 6-XXXVIII-2-5

6749 Livro 2.º dos termos e acordos 1787/825 cota 6-XXXVIII-2-5

6750 Papeis avulsos muito antigos 1787/825 cota 6-XXXVIII-2-5

6751 Inventário dos bens e ornamentos de S. Roque 1805 cota 6-XXXVIII-2-5

6770 Livro de Obras da Capela em 1835 cota 2/23-6-XXXVIII-2-5

6773 Exposição a que deu origem à nossa reforma 1835 cota 6-XXXVIII-2-5

6790 Livro 1.º de correspondência particular da Irmandade 1881/93 cota 6-XXXVIII-2-5

 

Biblioteca Nacional de Portugal

Iconografia - Colecção de Estampas Devotas (São Roque -  cotas 01715; 01716)

 

Levantamento Fotográfico da Capela de São Roque, Arsenal

João Pécurto /SCML 

 

Helena Gonçalves Pinto
Historiadora