A 25 de Fevereiro, a Ermida de São Roque é consagrada pelo Bispo D. Duarte, também bispo de Dume, com funções na zona de Bragança e, a assinalar este solene acto, é lavrada uma lápide em material pétreo com a seguinte inscrição:

“na era de mjl e bc e bj aos xxiiii : / dias de m(ar)ço se adificou esta ca-/ sa de sam Roque (e) na era de mjl / bc e xb aos xxb dias de feuer(ei)º / se co(n)sagrou polo b(is)po do(m) duar-te e o dito b(is)po outrogo(u) p(er) autorida - /de apostolica e(m) cada hu(m) an(n)o aos xx /b d(ias) de f(euerei)rº R d(ias) de vera e(n) – dulige(n)cia / s(n)do aloy pi(rez) mordomo”.

 

 

1515Lápide da consagração da Ermida de São Roque, pelo Bispo D. Duarte.

Em 15 de Dezembro é realizada a escritura da Vila Nova d’Andrade pelo tabelião Braz Afonso. Este é um novo tempo de urbanização do Bairro Alto, num projecto mais abrangente e que se inicia em 1498, sob determinação régia, para a constituição de uma nova parte da cidade, sob um moderno desenho urbano, consubstânciado numa inovadora malha de loteamento em quarteirões e alinhamento de ruas, de novas técnicas construtivas e arquitectónicas como a supressão de balcões, balcoadas para assegurar uma maior segurança e amplitude viária. Assim, de 1498 a 1503, o plano constrói-se a partir da linha de costa junto ao rio Tejo e sobe a encosta até às Portas de Santa Catarina (actual Largo do Camões). O novo período urbanístico, iniciado em 1513, corresponde à malha que se estende para norte da Rua do Loreto em direção ao Bairro Alto, numa planimetria de quarteirões que se desenvolvem numa grelha com dimensões que se aproximam ao duplo quadrado.

As Relíquias chegam a Lisboa e são recebidas pelo “Augustissimo Rey, da Corte e de todo o mais povo, com grande devaçam e confiança, que o santo largamente ao diante remunerou” (TELLES, Baltasar, “Chronica da Companhia de Jesus na Província de Portugal e do que fizeram nas conquistas deste Reyno os religiosos que na mesma província entraram, nos annos em que viveu Sancto Ignacio de Loyola”, Lisboa, Paulo Craesbeeck, 1645-1647).

A 20 de Março deste ano, a Confraria de São Roque recebe, por doação perpétua e irrevogável do Mosteiro de São Domingos da cidade de Lisboa, uma terra e herdade para edificar “a Igreja com sua alpendorada e dedicada ao Bemaventurado São Roque” (AH/IMSRL Doc. 8, cx 31). A Ermida é edificada à custa dos devotos e, entre estes, os homens de mester de Carpinteiros de Machado da Ribeira das Naus (FREITAS E AZEVEDO, “Memorias Históricas da Real Irmandade do Gloriozo S. Roque dos Carpinteiros de Machado. Estabelecida na sua Capela do Real Arsenal da Rib.ª das Naus 1781”, Arquivo Histórico da Marinha).

  

 

A 24 de Março de 1506 inicia-se a construção da Ermida de São Roque numa colina de Lisboa, fora da cerca Fernandina, junto do cemitério de pestíferos. Esta é a primeira ermida e confraria de São Roque que se edificou em Portugal, com altar para a exposição da Relíquia que acontecia nos momentos de peste, de jubileo e na festa do Santo. Foi designada por primaz, merecendo o reconhecimento e tendo o exclusivo de realizar a festa do Santo no dia 16 de Agosto, sem que as outras confrarias pudessem celebrá-lo nesse dia sem consentimento do juiz e dos mordomos da confraria, como é afirmado no Compromisso da Irmandade (1605). Esta decisão é igualmente arrogada pela Confraria da Corte (que da anterior se afastou), e por isso estes confrades fazem a festa ao Santo no domingo seguinte (BNP, “Historia da Fundaçam, e progresso da Casa de Sam Roque E Padres e Irmãos de notauel exemplo E uirtudes que nella Faleçerã ou Frutificarã E cousas mais notaueis cõforme à ordē de N. Pe Geral Claudio Aquauiua E começado Anõ de 1553. Livro P.º da Historia da fundação, e progresso da casa de S. Roque feita ẻ Março de 1574 e reuista, acrecentada, e proseguida em o fim de Dezembro de 1587”, Cod 4491).

O início do reinado de D. Manuel fica marcado pelos vários ciclos de peste e a população, atingida por doença súbita, desamparada pela angústia de não ter quem lhes garantisse gestos de caridade e socorro, descobre na figura de Roque de Montpellier, um exemplo de dedicação aos outros e de caridade, sendo tomado como patrono.

Com a República de Veneza, e apesar das desconfianças e rivalidades, são firmadas relações entre D. Manuel I e o Doge de Veneza, Leonardo Loredan, que permitiram que as relíquias de São Roque viessem de Veneza até Lisboa.

 

Definição do "Relacionamento institucional entre a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e a Irmandade da Misericórdia e de São Roque de Lisboa".  

"A SCML assegura a instrução e assistência religiosa nos seus estabelecimentos e aos seus utentes de harmonia com as leis canónicas e civis em vigor” (Artº 6º, nº 3, dos actuais Estatutos). 

 “À Irmandade da Misericórdia e de São Roque, …., compete, para além da tutela do espírito cristão que enforma a acção da SCML e que exerce através da sua presença no Conselho Institucional…” (Artº 45º, nº 1 dos actuais Estatutos)

 

2009

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