Objectivos

A Irmandade da Misericórdia e de São Roque, atenta à população da cidade, empenha-se no desenvolvimento equilibrado da Comunidade alargada da Grande Lisboa, numa cultura de Paz, em ambiente de solidariedade e entreajuda, geradora de confiança num futuro melhor e mais justo. Com a ajuda de Deus e assistidos pelo nosso Padroeiro, São Roque, queremos criar, nos que nos rodeiam, um clima de confiança, viver o presente com alegria e construir um futuro de abençoada Esperança.

 

A Irmandade tem por objectivos:

  1. Viver as Obras de Misericórdia, especialmente as espirituais, com particular atenção à exclusão social e à solidão.
  2. Cumprir a vocação cristã de amor ao próximo no respeito pelas diferenças religiosas, étnicas e culturais.
  3. Acompanhar as actividades da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e contribuir para que a sua acção se exerça conforme o espírito do seu Compromisso originário e a sua tradição cristã.
  4. Promover o culto a Nossa Senhora da Misericórdia e a São Roque.
  5. Exercer e apoiar actividades de apostolado e de evangelização, muito em especial pelo testemunho de vida dos seus Irmãos. 

 

Grandes Orientações e Objectivos das Actividades da Irmandade da Misericórdia e de São Roque

Grandes Orientações e Objectivos das Actividades da Irmandade da Misericórdia e de São Roque, aprovadas pela Assembleia-Geral de 19 de Abril de 2006 (Súmula)

  1. As alterações introduzidas no Compromisso da Irmandade da Misericórdia e de São Roque, por decreto de Sua Eminência o Cardeal Patriarca de Lisboa de 25 de Julho de 1990 e as que foram introduzidas nos Estatutos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, aprovados pelo Dec.-Lei nº 355/91, de 26 de Agosto de 1991, aconselhavam que, passados 15 anos, a Irmandade procedesse a um ajustamento das Grandes Orientações e Objectivos, para as suas actividades, tendo em conta especialmente as relações institucionais, que daqui resultam, com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
  2. A Mesa da Irmandade procedeu a esse trabalho e apresentou à Assembleia-Geral dos Irmãos uma proposta que a mesma aprovou na sua reunião de 19 de Abril de 2006.
  3. Convém, agora, proceder a uma síntese, sistematizada, daquelas Grandes Orientações e Objectivos, não só para uma consulta mais fácil como ainda porque as mesmas se mantém adequadas, após novas alterações, que foram recentemente introduzidas nos Estatutos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa pelo Decreto-Lei nº 235/2008, de 3 de Dezembro.

Assim sendo, elabora-se agora esta “Súmula das Grandes Orientações e Objectivos das Actividades da Irmandade da Misericórdia e de São Roque, que foram aprovadas pela sua Assembleia-Geral, em 19 de Abril de 2006”.

 

Primeiro:

A actividade da Irmandade situa-se, tão exclusivamente quanto possível, na área espiritual, isto é, deve prosseguir as Obras de Misericórdia Espirituais e a espiritualidade que seja inerente às Obras de Misericórdia Corporais.

Na verdade, não sendo a SCML uma instituição canonicamente erecta, ser-lhe-á naturalmente mais difícil imprimir a espiritualidade original à sua acção no terreno.

Deve a Irmandade procurar suprir essa lacuna – nos casos em que exista – programando com a SCML uma colaboração que permita imprimir aos actos da SCML a superior natureza das Obras de Misericórdia.

Melhor dizendo, transformar um acto profissional num acto de amor, no íntimo de cada trabalhador da SCML.

 

Segundo:

A acção de amor ao próximo, entre nós só pode ter como fundamento o amor a Cristo. É pois a palavra de Cristo e a moral (cristã) que é preciso levar aos trabalhadores – a todos os níveis – da SCML, que porventura a desconheçam ou não a sigam.

Para se atingir este objectivo, caberá à Irmandade promover ou reforçar a espiritualidade de todos os que actuam como agentes da SCML.
A Irmandade respeitará todos quantos professem outras religiões, outras obediências e outras posturas perante o transcendente.

Mas enquanto agentes da SCML, cabe-lhe exercer a sua acção com o mesmo espírito de amor ao utente, e no respeito pela moral cristã. É o que, necessariamente, decorre de trabalharem para uma Santa Casa da Misericórdia.

 

Terceiro:

Cabendo-lhe tão grande responsabilidade, à Irmandade, importa em primeiro lugar, que os Irmãos sejam senhores de sólida formação espiritual e religiosa e sintam no seu íntimo o chamamento para esta missão.

Só assim podem ser, por sua vez, agentes de evangelização, seja pela acção no terreno, seja pelo exemplo de vida.

Assegurar a conveniente assistência e formação espiritual e religiosa dos Irmãos é tarefa que cabe, estatutariamente ao Assistente Eclesiástico da Irmandade.

 

Quarto:

A obra de evangelização ou espiritualização dos agentes da SCML só parece possível a partir de uma colaboração sem reservas entre a Mesa da SCML, a Mesa da Irmandade e o Reitor da Igreja de São Roque e Capelão da SCML e o Assistente Eclesiástico da Irmandade.

Assume, assim, relevância de objectivo, conseguir a Irmandade congregar a boa vontade, compreensão e diligência dos quatro agentes acima referidos, para o bom cumprimento de tal obrigação, em particular no que aos sacerdotes respeita, quer por só a eles competir a prática dos principais actos do culto quer porque a acção evangelizadora e fiscalizadora da Irmandade carecem da sua assistência e conselho.

 

Quinto:

A forte implantação da SCML na cidade, arrasta, para os seus limites a área de intervenção da Irmandade.

Para além da evangelização e espiritualização apontada para Irmãos e agentes e utentes da SCML, deverá a Irmandade, na medida das suas possibilidades, participar nas acções de evangelização ou nas celebrações cultuais que se realizem na cidade, nomeadamente no Bairro Alto e na Baixa-Chiado, que possam ser relacionadas com as suas atribuições e competências. Deve faze-lo igualmente como participação na “Missão na Cidade” integrando o Congresso Internacional da Nova Evangelização, cujos efeitos não se extinguem em 2005.

 

Sexto:

Cabendo à Irmandade o exercício das Obras da Misericórdia há porém que privilegiar as que se situam na área espiritual.

Algumas são estado de espírito de índole individual e não carecem de ser aqui consideradas. É o caso de “perdoar os que nos ofendem”, “sofrer com paciência as injurias”. Outras, de natureza corporal estão promovidas pela SCML em termos que a Irmandade não está em condições de melhorar.

Pode é introduzir-lhe espiritualidade cristã. É o caso de “visitar os presos”, assistir aos doentes”, “dar abrigo aos pobres” e “enterrar os mortos”.

Para tanto, deve a Irmandade promover o agrupamento de Irmãos e a mobilização de outros para acompanhar e confortar, no seu infortúnio, os presos, os doentes, os pobres e ainda os que sofrem a tristeza do isolamento, impotentes para contrariá-lo.

Deve igualmente promover o acompanhamento dos enterros daqueles que morrem no anonimato, para dignificar o seu caminho na Terra e por eles rezar.

 

Sétimo:

“Rezar a Deus pelos vivos e pelos mortos” – Obra de Misericórdia Espiritual é objectivo principal entre todos.

Aceitamos que “… a oração é uma relação pessoal com Deus e ponto de partida de toda a vida cristã, que não se esgota no mero acto de rezar, antes tem expressão em interioridade global ou na relação com o mundo pela palavra, testemunho de vida ou gesto particular de partilha com o próximo, via maior da relação com Deus”.

Sem oração não há amor pelo próximo, não há obra de misericórdia, não há Irmandade.

Sem oração não há força para recomeçar, todos os dias a Irmandade.

 

Oitavo:

Questão diferente se põe com as restantes três obras espirituais: “ensinar os simples”, “dar bom conselho” e “corrigir com caridade os que erram”.

No âmbito mais vasto da espiritualidade, põe-se à Irmandade a questão de defrontar um mal maior dos nossos tempos: o silenciamento da moral nas relações entre os homens ou na governação dos Estados.

A parceria entre a SCML e a Irmandade justifica que esta trave combate pelo primado da Moral, nas relações humanas.

A moral de referência, naturalmente, é a que resulta do evangelho e da doutrina cristã.

Fôra ela respeitada e não havia, à nossa roda, a tragédia, a desgraça, a falsidade, o egoísmo, o vício e a criminalidade que nos horroriza e torna a vida de cada um numa aventura perigosa.

A luta pelo primado da moralidade nas relações entre os homens, em todas as suas vertentes, é um objectivo principal, no âmbito das três Obras de Misericórdia Espirituais acima referidas.