Prefácio

Neste mundo Ocidental em que vivemos o Natal é, por excelência, a festa das crianças. A aproximação do 25 de Dezembro desperta nas crianças uma onda de fantasia, com muito carinho, muitas prendas, guloseimas, festas, luzes, música e movimentação.
Mas é também, por excelência, a festa da Família. A Família, na sua totalidade.
Para os adultos, o Natal já tem outro conteúdo, e o nascimento do Menino Deus e a Boa Nova que nos legou são sentidos na sua profundidade.
O Auto de Natal que a Irmandade da Misericórdia e de São Roque promove em São Roque, com o apoio da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, desde os inícios deste milénio, dirige-se tanto às crianças como aos adultos.
As crianças são os “meninos da Santa Casa”. É para eles o projecto pedagógico que se estende ao longo do ano e assume particular intensidade nos últimos quatro meses com o directo envolvimento dos que participam no Auto.
Cada um contribui com a sua arte, dançando, declamando, tocando, recitando e todos representando, constroem uma celebração de todos para todos.
Participando, aprende-se o valor do trabalho em equipa, da responsabilidade que cabe a cada um no êxito final, cresce-se em auto-estima e no respeito por si e pelos outros.
Os adultos são as suas famílias e a enorme família de todos os que na Irmandade e na Santa Casa acompanham as suas vidas, dão-lhes o seu carinho e os rodeiam de amor para que sejam felizes na vida e nada lhes falte.
Este Auto tem também por função aproximar as diferentes visões que, as crianças por um lado e os adultos por outro, têm sobre o nascimento de Jesus. Principalmente, aproximar a sensibilidade e a espiritualidade das crianças da real transcendência do Natal, preparando a sua entrada na vida adulta.
Este Auto tem luzes, música, movimentação, alegria e festa.
E tem prendas.
Não são brinquedos.
São os aplausos quentes que envolvem os que estiveram em palco, e vão direitos de coração em coração.

O Irmão Provedor
Pedro Pestana de Vasconcelos