A procissão é organizada pela Real Irmandade de Santa Cruz e Passos da Graça, com um empenhado apoio da nossa Irmandade da Misericórdia e de São Roque de Lisboa.

A Irmandade dos Passos da Graça indica o ano de 1587 como sendo o do início desta Procissão, na sequência da instituição da sua Irmandade em 1586, e refere-a como a primeira procissão de Passos “em antiguidade”, sendo “percursora das procissões de Passos espalhadas por Portugal  e pelo mundo

A Procissão sai da Igreja de São Roque com destino à Igreja da Graça, sendo seguramente a maior manifestação pública de fé que anualmente se realiza na cidade de Lisboa.

Desde 1910 que a Procissão tinha o seu percurso confinado apenas à Graça, mas em 2013 retomou “percurso original”, desde a igreja de S. Roque, no Bairro Alto, até à igreja da Graça, percorrendo diversas artérias da cidade entre as colinas de São Roque e da Graça, com paragem junto de sete "Passos": Igreja de São Roque, Igreja da Encarnação, Igreja de São Domingos, Ermida de Nossa Senhora da Saúde, Passo do Terreirinho (Rua dos Cavaleiros), Casa de São João de Brito (a Santo André) e Igreja da Graça.

A Procissão de Nossa Senhora da Escada realiza-se na Igreja das Mercês no primeiro ou segundo Domingo de Maio. Procissão de longa tradição histórica interrompida durante muitos anos e recentemente retomada.

Há diferentes lendas para justificar a singular invocação. Existiria uma Capela Junto à Igreja de São Domingos na Baixa de Lisboa onde chegava um braço do Tejo e os pescadores Marinheiros subiam a escadaria da Capela, atracando ali os barcos, para irem rezar à Virgem Maria. Outros referem a Senhora da Escada como a Imagem que se encontrava numa das escadas do Convento de Nossa Senhora de Jesus (hoje Igreja das Mercês) e que terá sido levada para a Igreja por pedido do povo de Deus.

O andor de Nossa Senhora é tradicionalmente transportado por marinheiros fuzileiros navais que lhe prestam honras militares na escadaria da Igreja, no final da Procissão e durante a Consagração na Missa com que se finaliza a cerimónia. 

Com saída da Igreja da Graça para a Capela de Nossa Senhora da Glória, tem esta pequena Procissão uma particular participação de fiéis pertencentes a uma comunidade de terceira idade, “muito unida, muito familiar, empenhada na suas crenças e devotos à sua Padroeira Senhora da Glória”.

Esta Procissão, organizada pela Irmandade de Santa Cruz e Passos de Nosso Senhor Jesus Cristo de Alenquer, com mais de 350 anos de tradição e que mais recentemente retomou a sua antiga dimensão, tem lugar no terceiro domingo da Quaresma.

Com saída da Igreja da Misericórdia, percorre as principais ruas da Vila, inclui a paragem e meditação de cinco estações da Via Sacra e termina na Igreja de São Francisco. O sermão do Encontro tem por cenário a chegada da imagem do Senhor Jesus ao Largo principal da Vila, Largo Espirito Santo, que aí se encontra com a da imagem de Sua Mãe Maria Santíssima que sai da Igreja do Espirito Santo e constitui sempre um dos momentos mais tocantes e significativos.

Embora o culto a Nossa Senhora da Saúde seja anterior ao século XVI, a correspondente Procissão só foi instituída em 1570.

Em agradecimento, pela graça recebida da Virgem, terminando o flagelo da peste que assolava Lisboa, os artilheiros de São Sebastião instituíram a devoção e a procissão em honra da Senhora da Saúde que se realizou pela primeira vez a 20 de Abril de 1570

Actualmente a Procissão sai da Ermida de Nossa Senhora da Saúde, antes designada Ermida de São Sebastião, e percorre o centro histórico incorporando as imagens de Santa Bárbara, Santo António, S. Sebastião (também ele advogado das doenças e primitivo orago da ermida) e da Senhora da Saúde.

Cabia aos oficiais da artilharia transportar aos ombros o andor com a imagem de Nossa Senhora, mas mantém-se a tradição da participação de forças militares e cavalaria que emprestam uma imagem peculiar a esta Procissão.

Realiza-se na tarde do dia de Santo António, 13 de Junho. De manhã na Igreja de Santo António é rezada missa, distribuído o pão simbólico do Santo e o cravo branco símbolo da pureza.

A Procissão de Santo António, de todas as que se realizam na cidade, é certamente aquela de sabor mais popular. Percorre as estreitas ruas e vielas do Bairro de Alfama, tem início na Igreja de Santo António, no início só com o andor de Santo António, passa pelo Largo da Sé onde recebe sob o Pálio a Relíquia do Santo, e sucessivamente vai integrando, conforme passa nas respectivas igrejas, os andores com as pequenas imagens de São João da Praça, de São Miguel, de Santo Estevão, de São Vicente, de São Tiago e termina no Largo da Sé, onde os fiéis recebem em grande recolhimento a bênção com a Relíquia do Santo, para finalmente recolher à sua Igreja.

Paulo II lembra-nos que “A devota participação dos fiéis na procissão eucarística da solenidade do Corpo e Sangue de Cristo é uma graça do Senhor que anualmente enche de alegria quantos nela participam”.

A Procissão do Corpo de Deus é considerada como a mais antiga e participada de quantas se realizam na cidade de Lisboa.

 A comemoração da Festa do Corpo de Deus (Corpus Christi) foi estabelecida por Urbano IV em 1264, sendo hoje celebrada com grande solenidade em todo o mundo. Portugal foi um dos primeiros países a aderir à solenidade e em Lisboa, já se fazia a procissão no reinado de D. João I, sendo já conhecida pela pompa e pela imponência que manteve ao longo dos séculos

Do séc XVII até meados do séc XIX a Procissão em Lisboa “incorporava as irmandades  (moleiros, hortelãos, albardeiros, boticários, alfaiates,  carpinteiros,  confeiteiros,  tanoeiros,  calafates,  etc)  e  também  as delegações das diversas  Ordens  Religiosas de Lisboa (Agostinhos, Beneditinos, Franciscanos, Ordem de Cristo...)”. 

O cortejo encerrava-se com o pálio, a  cujas varas pegavam os mais altos dignitários da Corte e da Câmara, sempre representada por toda a Vereação. Sob o pálio o Bispo de Lisboa levava a custódia com o Santíssimo Sacramento e era ladeado pelo Rei e outros dignitários.

Procissão centenária que se realiza na noite de Sexta-feira Santa, saindo da Igreja de santa Catarina percorre as ruas de São Bento até ao Bairro Alto. Consumada a Paixão e Morte de Jesus, o Cortejo processional recorda a sepultura do Senhor, incorporando o Esquife com a imagem de Jesus morto e as imagens de Santa Maria Madalena com os perfumes nas mãos para ungir o corpo de Jesus, de São João Evangelista e de Nossa Senhora das Dores.

A procissão termina na Igreja onde a imagem de Jesus morto é cenicamente transferida para o túmulo (um enorme baú) onde é piedosamente depositada sendo a tampa deixada intencionalmente cair estrepitosamente com sobressalto e comoção dos fiéis.